Porém, celebramos junto com ele mais um dia! Parabenizo-o por vencer várias batalhas (físicas, psicológicas e espirituais) que vem enfrentando desde o último novembro por conta das complicações com as altas taxas de glicemia e pressão; além de úlceras nos membros inferiores.
Ele tem se reerguido como um verdadeiro guerreiro quilombola! Deus concedeu uma nova oportunidade de viver e ser feliz... portanto... desfrute, valorize e gratidão sempre! Te amo! Feliz 63 anos... que o novo ciclo venha com mais saúde e realizações.
Compartilho com vocês um artigo que eu fiz sobre a história de vida e militância de Helcias Roberto Paulino Pereira, que foi publicado na REVISTA ETNIAS - Educação e Cultura Afro-amazônica organizada pela Escola Afro-amazônica.
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UM MALUNGO CHAMADO HELCIAS
Texto: Helciane Angélica Santos Pereira – jornalista e filha do ativista alagoano
Natural de Maceió-AL, Helcias Roberto Paulino Pereira nasceu em 27 de março de 1963 (62 anos). De origem humilde, sua infância foi nos campinhos de futebol, soltando pipa e subindo em árvores nos bairros periféricos do Reginaldo e Jacintinho. Porém, começou a trabalhar cedo e aos 14 anos aprendeu o ofício de fazer letreiros em fachadas, serigrafia e placas de formatura numa empresa do ramo da comunicação visual.
É o filho caçula do Benedito e da Josefa, ambos falecidos, que o criaram com muito amor, dedicação e ensinamentos. O pai trabalhava como mestre de obras, era babalorixá (umbanda/nação ketu) e faleceu aos 72 anos após a luta contra o câncer de pulmão. A mãe foi uma verdadeira guerreira. Filha de ex-escravizados, perdeu a perna ainda criança, aos 7 anos, quando trabalhava tomando conta dos animais num velho engenho. Para sobreviver foi morar em casas de família realizando trabalhos domésticos em troca de comida e roupa. Ela era o seu maior exemplo de vida, uma mulher de muita fé que respeitava a religião do marido, mas considerava-se evangélica batista e acolhia a todos que chegavam em sua residência. Ao longo dos 95 anos transformou suas dores e vivências em sabedoria e força.
A partir dos anos 2000 começou
a atuar em cargos políticos relevantes para a população afrodescendente. Em
2002 assumiu a Coordenação Geral de Projetos da então Secretaria Estadual
de Projetos Especiais (SEPES) com empenho destacado na coordenação da
Semana da Consciência Negra, na Serra da Barriga. Em 2004, foi convidado para
assumir a Gerência de Projetos Afros da Secretaria Especializada de Defesa
e Promoção das Minorias (SEDEM – AL), tendo a oportunidade de representar
o Estado na formação do Fórum Intergovernamental de Política de Promoção
da Igualdade Racial (FIPPIR/NE) e no lançamento do Plano Nacional de Políticas
de Promoção pela Igualdade Racial (PLANAPIR) em Brasília; atuou como Diretor do
Departamento de Arte e Cultura da Secretaria Municipal de Educação de Maceió
(SEMED); e foi Diretor Cultural e Geral do CAIC Virgem dos Pobres.
Também foi membro do Conselho
Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), representando os
Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs); Assistente Técnico na
representação regional da Fundação Cultural Palmares (FCP) em Alagoas. Foi
consultor na idealização, articulação, sensibilização e construção do Parque
Memorial Quilombo dos Palmares – primeiro equipamento afro-arquitetônico das Américas,
no platô principal da Serra da Barriga, em União dos Palmares.
A sua história de vida
confunde-se com o próprio movimento social negro. É membro-fundador do CENTRO
DE CULTURA E ESTUDOS ÉTNICOS ANAJÔ (fundado em 2005) e foi
coordenador nacional dos APNs cujos integrantes considera como sua própria
família. Atualmente, é coordenador de conteúdo e facilitador cultural do
projeto Vamos Subir a Serra; idealizador dos projetos Palmares in Loco e do
Tambor Falante; e coordena o projeto Cultura Viva: Saberes em Movimento.
Durante a pandemia da Covid-19, o educador social buscou se reinventar e se capacitar. Por meio de aulas online concluiu em 2022 o curso técnico de guia de turismo pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e se especializou em passeios e excursões que exaltam o afroturismo, a identidade cultural e a valorização da história do Quilombo dos Palmares.
Devido a sua dedicação e
representatividade, já recebeu várias homenagens e curiosamente é o único ativista
negro agraciado com duas comendas étnico-raciais concedidas pela Câmara
Municipal de Maceió: A Comenda Dandara em 2010 e a Comenda Zumbi
dos Palmares em 2012. Ambas, são concedidas para instituições públicas e
privadas nacionais e locais; para personalidades, inclusive, in memorian – em
reconhecimento à contribuição nas ações relativas à luta pela Diversidade
Étnico-racial no âmbito do município de Maceió.
Em novembro de 2025, o careca
Helcias teve que dar uma pausa no trabalho e na militância para cuidar da sua
própria saúde. Justamente, no mês da Consciência Negra, no período do ano que
mais acompanha visitantes e turistas de várias partes do mundo para conhecer a
Serra da Barriga, e é constantemente convidado para dar palestras e
entrevistas. Infelizmente, se viu preso em um leito de hospital para controlar
as altas taxas da diabetes e hipertensão, além das úlceras que se formaram em
suas pernas. Como um verdadeiro guerreiro quilombola, continua resistindo,
contando com o amor dos seus filhos, companheira e familiares, além das
mensagens e visitas de amigos(as).
Helcias é um verdadeiro griô, um guardião das histórias, um cara de sorriso frouxo, cheio de vida, que é malungo de muita gente por esse Brasil afora!





















