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terça-feira, 5 de maio de 2026

Xau... Boa sorte!


Ilustração: https://thinkworklab.com/



     Uma segunda-feira, primeiro dia útil, aquele dia primordial para a entrega dos relatórios mensais. Era um dia comum, acordei cedo antes mesmo do sol aparecer e bati o ponto certinho às 5 horas da matina, nem um minuto a mais e nem a menos. 

      Trabalhei normal e segui a escala da melhor forma possível. Foi só encerrar o expediente e aquela ligação surpreendente e indesejada aconteceu; aquela que revira o estômago... poxa, o que eu fiz de errado?!

       Recebi a informação ingrata de que estava demitida. Um aviso prévio idenizado devido a conteção de despesas e porque a empresa tinha perdido clientes. Ouvi que não tinha nada haver comigo, era muito esforçada, mas a empresa precisava tirar alguém. 

       Enfim, um verdadeiro "presente de grego" no mês do meu aniversário e enquanto ainda fazia planos para as tão desejadas férias que estavam se aproximando. Daí, veio o descanso forçado e sem volta prevista... um xau e boa sorte.

       Pela primeira vez não fui eu quem pediu para sair, que tinha outra proposta em vista, ou precisava me desligar para cuidar da saúde... Pior, pegou a mim e alguns colegas de surpresa. Recebi mensagens de pessoas preocupadas e sem acreditar no desligamento; ouvir elogios do quanto eu era dedicada e tinha potencial... enfim, aqueceu um pouco o coração.

        Injusto ou não, é mais um ciclo que foi encerrado após 2 anos e 3 meses no desafio de trabalhar em home office... Uma oportunidade importante na minha trajetória profissional, que apareceu num momento delicado e que me ajudou a reerguer. Sou grata pelo que aprendi.

        Agora é superar o susto, engolir o choro, levantar a cabeça e seguir em frente. Realmente, vai tirar do eixo, virar de ponta a cabeça, e chacoalhar a mente. Terei que reorganizar a vida, controlar gastos e planejar as estratégias: fazer cursos; estudar para concurso; enviar currículos... agir!

        É preciso reprogramar a mente e a rotina; rever atitudes; enfrentar os desafios e se preparar para encarar os novos horizontes.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Carnaval dos protestos

Pelo menos três escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro levaram para o Sambódromo um Carnaval de críticas e protestos, externando a insatisfação do povo com os políticos e a corrupção.

A Beija-Flor, campeã do Carnaval, fez um paralelo entre o romance "Frankenstein” e as mazelas sociais brasileiras. Corrupção, desigualdade, violência e intolerâncias de gênero, racial, religiosa e até esportiva formaram o cenário de "Brasil monstruoso". Um carro encenou a violência cotidiana do Rio de Janeiro, mostrando crianças morrendo na escola, mães enterrando seus filhos policiais e ocorrências de assaltos.

A Paraíso do Tuiuti, que ficou com o segundo lugar, com belas alegorias e um samba enredo primoroso fez abordagem crítica sobre a situação da população negra e pobre neste País. Não faltaram Michel Temer, o vampiro neoliberalista, paneleiros com camisetas do Brasil e patos da Fiesp sendo controlados pela mídia, além de críticas às reformas trabalhista e da Previdência.

A escola passou pela Sapucaí deixando a pergunta "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?" A Tuiuti recontou a história da escravidão no Brasil, nos 130 anos da Lei Áurea, e fez uma crítica ao racismo e às dificuldades dos trabalhadores brasileiros hoje. Em seu segundo ano seguido no Grupo Especial e após um acidente grave no ano passado, a escola dedicou parte do desfile para uma crítica social mais atualizada. As três últimas alas retrataram perrengues dos brasileiros em busca de bons empregos. No último carro, a Tuiuti apresentou um "novo navio negreiro" buscando fazer uma comparação entre os "novos trabalhadores explorados pela classe dominante" e os escravos do passado.

A Estação Primeira de Mangueira, que ficou em 5º lugar, também não ficou atrás em termos de protesto. Aproveitou o enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco” para ironizar a decisão de Prefeitura do Rio de cortar os recursos destinados às escolas de samba. Sem metáforas, o prefeito do Rio foi citado nominalmente e representado como um boneco de Judas para ser malhado.

Foi mesmo emocionante! Mas o Carnaval passou. É preciso que essa ousadia cidadã ganhe força na consciência dos brasileiros e ecoe nas ruas, antes que outros direitos sucumbam.



Fonte: Coluna Axé / 479ª edição / Jornal Tribuna Independente (20 a 26/02/18) / Editora: Helciane Angélica/ Contato: cojira.al@gmail.com

(Responsáveis, interinamente, as jornalistas Valdice Gomes e Luíla de Paula)

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Cojira-AL: 10 anos

No próximo dia 24 de novembro, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-AL) completa dez anos de fundação e atuação no Estado de Alagoas. É vinculada ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal) e foi o primeiro núcleo do Nordeste a trabalhar as questões étnicorraciais no movimento sindical da categoria.

Também existem cojiras nos estados da Bahia, Distrito Federal, Paraíba, Rio de Janeiro, São Paulo e o Núcleo de Comunicadores Afro-Brasileiros do Rio Grande do Sul – juntos, formam a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Étnicorracial (Conajira) que é um órgão consultor da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj).

Porém, Alagoas destaca-se na interlocução entre o movimento social negro e a mídia alagoana, facilitando o repasse das informações e na indicação de entrevistados e entrevistadas sobre as questões étnicorraciais; contribui para a reflexão sobre a realidade da população afrodescendente durante todo ano; divulga as ações político-culturais e eventos dos segmentos afros; além de promover debates e participar de palestras sobre o papel da mídia no combate do racismo, o discurso de ódio, à intolerância e outras formas de intolerância.

Dentre as ferramentas de trabalho, estão: o blog www.cojira-al.blogspot.com.br e a Coluna Axé publicada semanalmente no jornal Tribuna Independente desde 2008. Também exerce um papel importante no controle social e defesa das políticas públicas, com atuação marcante por duas gestões, no Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir-AL).

É motivo para se orgulhar e festejar, mas, ainda há muito o que fazer! Os desafios continuam... que venham mais dez anos. Axé!


Fonte: Coluna Axé – 468ª edição – Jornal Tribuna Independente (22 a 27/11/17) / Cojira-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Empreendedorismo

De 18 a 20 de outubro, no Centro de Convenções de Maceió localizado no bairro histórico do Jaraguá, terá a 8ª Feira do Empreendedor de Alagoas. 

Esse é um dos maiores eventos de empreendedorismo do Sistema Sebrae, que busca promover os produtos e serviços, dos patrocinadores, parceiros e expositores de várias franquias, ajudando a promover e a ampliar a carteira de clientes de todas as partes interessadas. 

A programação é composta por oficinas, palestras, mesa redonda, workshop, exposição, sessão de negócios; orientações sobre o Acesso a Crédito com o Banco do Brasil e Banco do Nordeste; Rodada de negócios multissetoriais; Momento do Empresário; Talk Show Troco Likes – Redes Sociais para Alavancar seu Negócio; além de apresentações musicais. 

Dentre as palestras destaques estão: “Os Impactos da Reforma Trabalhista para as Micro e Pequenas Empresas” com o palestrante Nélio de Souza (AB & DF ADVOCACIA)”, amanhã (18) às 16h30 na sala 3; e no dia 19, o tema “Cenário Econômico do Brasil: Impactos para as Empresas do Nordeste” às 19h30, no Espaço Criatividade em Ação, com o palestrante Luiz Barreto (Ex Presidente do Sebrae). Também serão discutidos: Vantagens da Formalização para o Micro Empreendedor Individual (MEI), Líder Coach, Educação Financeira, Marketing Digital para Pequenos Negócios, Posicionamento da marca nas Redes Sociais, Economia Sustentável, Registro de Marcas e Patentes, dentre outros. 

É um grande momento para aprofundar conhecimentos, despertar ideias, fortalecer os negócios e ampliar a geração de renda. Todas as atividades são gratuita, mas é importante fazer a inscrição antecipada no site: http://feiradoempreendedor.al.sebrae.com.br/. Participe!


Fonte: Coluna Axé – 463ª edição – Jornal Tribuna Independente (17 a 16/10/17) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Conferências de igualdade racial

O Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir-AL) iniciou os trabalhos de articulação e mobilização para a IV Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (IV Conapir), que discutirá o tema “O Brasil na Década dos Afrodescendentes: reconhecimento, justiça, desenvolvimento e igualdade de direitos”.

A etapa nacional está prevista para ocorrer no terceiro trimestre de 2018 em Brasília. Porém, é preciso intensificar os debates, organizar as propostas e cobrar a efetivação das políticas públicas.

Os prazos para as Conferências Livres, Intermunicipais e Estaduais foram redefinidos e as organizações que lutam pelo desenvolvimento das questões étnicorraciais, nos mais diversos setores, devem ficar atentas. As Conferências Livres devem ser promovidas até o dia 30 de junho; trata-se de uma iniciativa da sociedade civil ou fomentada pelo Conselho, direcionadas a públicos específicos ou comunidade de povos tradicionais. É importante destacar que os organizadores precisam fazer uma lista de presença, o registro fotográfico e elaborar um Relatório com as propostas aprovadas.

Já as Conferências Intermunicipais serão realizadas nove edições, ou seja, uma em cada região seguindo a divisão mais recente feita pela Secretaria de Planejamento do Estado, nas seguintes datas: 29 de julho, 05 de agosto, 19 de agosto, 26 de agosto, 02 de setembro, 09 de setembro, 16 de setembro, 23 de setembro e 30 de setembro.

E a Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (IV Coepir) será no mês da Consciência Negra, nos dias 24 e 25 de novembro, cujo local ainda será confirmado. Para que todas essas decisões sejam executadas, o Conepir realizará na sua primeira Reunião Ordinária da nova gestão (Biênio 2017/2019) no dia 04 de julho, nos dois horários, a partir das 9h no Centro de Formação dos Profissionais da Educação (Cenfor/Cepa) em Maceió. 

Mais informações: (82) 99999-1301 / 99809-1015.



Fonte: Coluna Axé – 447ª edição – Jornal Tribuna Independente (27/06 a 03/07/17) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 16 de maio de 2017

Encontro Nacional de Quilombolas

A quinta edição do Encontro Nacional das Comunidades Quilombolas acontecerá nos dias 22 a 26 de maio, no Hotel Gold Mar, em Belém (PA). Esse é o espaço máximo para deliberações da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), que contribui para a reflexão das políticas públicas, manutenção de direitos já conquistados e na luta por novos reconhecimentos.

Estarão presentes lideranças de comunidades remanescentes de quilombo de vários estados brasileiros que discutirão o tema “Terra Titulada: Liberdade Conquistada e Nenhum Direito a Menos”.

Na programação, terá debates sobre direitos territoriais, agricultura familiar, meio ambiente e ensino superior com pesquisadores e especialistas convidados; grupos de trabalho (GTs) sobre o protagonismo das mulheres, empoderamento da juventude, saúde da população negra; além da programação cultural com apresentação de grupos de música e dança, exposição fotográfica, e feira com produtos feitos nas comunidades quilombolas.

De acordo com os organizadores, eles não se responsabilizam pelo fornecimento da alimentação, transporte ou hospedagem para os/as participantes na condição de ouvinte, já que essa é uma prioridade para as representações das comunidades quilombolas. O evento tem a capacidade máxima para 200 pessoas, assim, caso o número de ouvintes seja elevado, haverá uma seleção de acordo com o interesse no evento. Para preencher o formulário, deve-se acessar o link: https://goo.gl/forms/oOxLGOxhFXPOVOfX2. Também existe um credenciamento para os/as interessados/as em expor/vender produtos na feira: https://goo.gl/forms/diJp9Jo4YdC9PRZv1.

A Conaq possui 21 anos de atuação, já realizou os encontros nacionais em Brasília-DF (1995), Salvador-BA (2002), Recife-PE (2003) e Rio de Janeiro-RJ (2011).

Para outras informações, visite o site: http://conaq.org.br/


Fonte: Coluna Axé – 441ª edição – Jornal Tribuna Independente (16 a 22/05/17) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

sábado, 12 de novembro de 2016

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Diálogos inúteis




Por: Helciane Angélica


É impressionante como as pessoas terminam ativando o modo antissocial diante das suas adversidades emocionais e profissionais. E eu, me incluo nesse fragmento da população que se recolhe, se poupa, fica offline.


Fugimos dos programas familiares, das reuniões intermináveis, das boemias e até dos inocentes bate-papos com amigos(as) verdadeiros(as). Tudo isso para não demonstrar as fraquezas e não ter que dar explicações desnecessárias sobre as consequências dos seus próprios atos; ou simplesmente porque estamos sem assunto, não tem nada de novo, nada de interessante para falar.


Os/as especialistas de plantão diriam que essas características servem de alerta para um possível quadro depressivo e que requer cuidados. Blá, blá, blá.


A sensação é de vergonha, frustração e impotência pelos dramas vivenciados; a gente sempre acha que os nossos problemas são maiores, que tudo de ruim vem em comboio. Porém, cada um(a) tem o seu tempo de reação e formas de superação, e a única coisa que resta é: respeitar o momento e ajudar da melhor forma.


E infelizmente, por mais que você tente se esquivar, os encontros inesperados com aquele(a) colega dos tempos de escola/faculdade, do antigo trabalho, de um evento qualquer, da casa da peste... que você não ver há anos, aparece, e tenta puxar conversa sobre a sua vida só para matar a curiosidade...

I
- Olá menina! Como está?
- Oi! Tudo bem.
- Por onde andas?
- Na luta de sempre!

II
- Oi Helci! Nossa, como tá magra!
- kkk Ainda falta perder mais um pouquinho
- Agora, você é atleta, só vejo suas postagens nas redes sociais.
- Que nada, é o meu lazer.
- E aí, tá fazendo mais o que da vida?
- Só estudando e nadando mesmo.


III
- E aí, mulher. Tá trabalhando?
- Não, tô parada.
- Tá deixando currículo?
- Sim, deixei. Participei de algumas seleções, mas não fui chamada.
- Mas, tem muitas vagas na tua área?
- Não. Pelo contrário, não estão contratando.
- É, tá difícil mesmo!
- Humrum.


Pois é, é a crise econômica no Brasil, o desgaste mental, a desvalorização dos ideais e a superficialidade nas relações interpessoais. Enquanto isso, a gente segue em frente buscando dias melhores...


segunda-feira, 11 de julho de 2016

terça-feira, 7 de junho de 2016

Congresso da Unegro

A União de Negros pela Igualdade (Unegro) – instituição nacional do Movimento Negro, com 28 anos de atuação no país – foi fundada em Salvador (BA) no dia 14 de julho de 1988, durante o processo de redemocratização do país e busca combater o racismo e toda forma de discriminação e opressão social.

Nos dias 10 a 12 de junho, na Universidade Federal do Maranhão em São Luís, realizará o 5º Congresso Nacional com o tema central: “Negras e Negros no poder e em defesa da vida”. A Conferência Magna discutirá “Racismo no Mundo Perspectivas e Desafios”, sendo proferida por Olívia Santana – Secretária Estadual de Políticas Para Mulheres – SPM/BA e Secretária Nacional de Combate ao Racismo do PCdoB, e Luciana Santos – Presidente Nacional do PCdoB. 

Na programação também terá a mesa “Negras e Negros no Poder e em defesa da Vida”; Caminhada Contra o Golpe e Entrega do Prêmio Clóvis Moura Pela Igualdade Racial no Brasil; e Plenária Final para a aprovação do Plano de Luta e resoluções, além da eleição e posse da nova Diretoria.

Outro importante momento da programação para a formação sociopolítica e integração com representantes de vários segmentos sociais, será a realização de 14 painéis de Debate sobre questões relevantes da atualidade, são eles: Pesquisas e produção intelectual negra; Participação Política, Gestão Pública e Luta Parlamentar pela Igualdade Racial; A luta e organização das Mulheres Negras; Juventude Negra direito a vida e ao desenvolvimento; Comunidades Tradicionais e a defesa do Estado laico; Comunidades Quilombolas / Terra regularização das terras/territórios e etnodesenvolvimento sustentável; A Luta LGBT – Mobilização e participação no enfrentamento às desigualdades de gênero e orientação sexual com recorte de raça e classe; Defesa do SUS e a política integral saúde da população negra; Educação; Racismo no local de trabalho; Cultura Negra – Fomento a diversidade; Decênio dos Afrodescendentes – Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento; Comunicação: Cidadania e democratização da comunicação; e Desenvolvimento Econômico do Brasil: Impacto do Racismo que Afetam a Produtividade, a Produção e a Distribuição de Renda.

O evento reunirá lideranças da Unegro atuantes em 24 Estados da Federação, convidados(as) e integrantes de outras instituições do movimento social negro. As inscrições ainda estão abertas. Saiba mais: http://www.unegro.org.br/site/ e na página do Facebook @unegrobr, ou ainda, pelo email contato@unegro.org.br.


Fonte: Coluna Axé  – 394ª edição – Jornal Tribuna Independente (07 a 13/06/16) / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Cotas raciais em concurso público

A Lei nº 12.990 promulgada em 9 de junho de 2014, pela Presidente Dilma Rousseff, reserva 20% das vagas oferecidas às pessoas presas e pardas (negros/as) autodeclaradas no ato da inscrição nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União.

Porém, de acordo com o inciso 3º do artigo 3º, “na hipótese de não haver número de candidatos negros aprovados suficiente para ocupar as vagas reservadas, as vagas remanescentes serão revertidas para a ampla concorrência e serão preenchidas pelos demais candidatos aprovados, observada a ordem de classificação”.

Apesar dessa política pública ter validade de dez anos, e ser inspirada nas cotas implantadas em Universidades que proporcionam a oportunidade de acesso, as cotas raciais em concursos públicos também são alvo de críticas e polêmicas. Cabe ao Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos – órgão responsável pela política de promoção da igualdade étnica – conforme as diretrizes do Estatuto da Igualdade Racial (§ 1o do art. 49 da Lei no 12.288/2010), acompanhar e executar a avaliação anual sobre a regulamentação.

Para esse ano, estão previstas no primeiro semestre vagas aos candidatos negros e negras nos concursos públicos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também, é possível a adoção do sistema de cotas em concursos de âmbito estadual, um grande exemplo nacional é o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) que implantou pela primeira vez e já recebeu 448 inscrições de juízes negros(as).

As cotas raciais e sociais são ações afirmativas, que resultam da luta do Movimento Social Negro, que visam a transformação do país, a busca por igualdade e o combate do racismo nos espaços de poder e formação. É preciso investir na educação de qualidade para todos, independente de classe social e região, só assim não precisaríamos de paliativos, para obtermos profissionais negros capacitados em todos os setores. Enquanto isso, o remendo por justiça social continua...


Fonte: Coluna Axé – 376ª edição – Jornal Tribuna Independente (26/01 a 01/02/16) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com