terça-feira, 20 de outubro de 2015

Kizomba das Mulheres Negras

O Comitê Impulsor da Marcha das Mulheres Negras no Estado de Alagoas está organizando a “Kizomba das Mulheres Negras”, que acontecerá no dia 28 de outubro, a partir das 18h, na Orákulo Chopperia no bairro do Jaraguá em Maceió. O evento busca aliar entretenimento, conscientização e valorização da cultura afro; além de arrecadar recursos para garantir a presença das alagoanas na mobilização nacional.

Dentre as atrações estarão: Afoxé Povo De Exú, Coletivo Afro Caeté, Afoxé Oju Omim Omorewá, Banda Afro Mandela, Banda Afro Zumbi, Banda Afro Afoxé, Grupo Segura O Coco, Mel Nascimento & Malacada, Grupo Cadência; além de Igbonan Rocha & Samba de Nêgo com as participações especiais de Luana Costa, Carla Araújo, Ismair Martins e Janaina Martins.

O ingresso custa R$20, pode ser adquirido na bilheteria da casa de shows ou antecipadamente com os organizadores e/ou na sala do Núcleo de Estudos Afro Brasileiros da Universidade Federal de Alagoas (Neab - Ufal) localizado no Espaço Cultural em frente à Praça Sinimbu. Contatos: (82) 99982-8377 / 98854-7758 / 99999-1301.

As mulheres negras são 49 milhões e representam 25% da população brasileira, são chefes de família, lutam cotidianamente por condições dignas para a sobrevivência, equiparação salarial, combate ao racismo e sexismo que acometem sua autoestima, produtividade e convivência social. 

No dia 18 de novembro, no Distrito Federal, centenas de mulheres de todo o Brasil estarão marchando para destacar o combate ao Racismo e a Violência e pelo Bem Viver. Sem dúvidas, será um marco nacional e internacional, integrará o mês da consciência negra e estimulará a reflexão sobre gênero e etnia.

Leia o manifesto e obtenha outras informações no site: http://www.marchadasmulheresnegras.com/


Fonte: Coluna Axé – 363ª edição – Jornal Tribuna Independente (20 a 26/10/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Reforma e unificação

A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, oficializou na última sexta-feira (02.10) uma ampla reforma administrativa do governo federal, com o argumento de que contribuirá para as melhorias na gestão pública, elevar a competitividade do País e continuar assegurando a igualdade de oportunidade aos cidadãos.

Dentre as medidas anunciadas, estiveram: a redução de 8 ministérios e 30 secretarias nacionais; o corte de 3 mil cargos comissionados; a redução em 20% dos gastos de custeio e de contratação de serviços de terceiros; e a redução em 10% do salário da própria presidenta, do vice-presidente e dos ministros de Estado. Também ocorreu o comprometimento em rever todos os contratos de aluguel e de prestação de serviços como vigilância, segurança e Tecnologia da Informação, assim como a utilização de todo o patrimônio da União.

Na posse dos novos ministros, Dilma ressaltou: "São muitas tarefas, mas tenho certeza que esse novo time vai executar com excelência e dedicação. Desejo boa sorte, bom trabalho e recomendo a todos muita dedicação, pois temos um Brasil para governar até 2018".

Com as mudanças, foi criado o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, na verdade, foram unificadas as secretarias de Políticas paras as Mulheres (SPM), da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), de Direitos Humanos e de Juventude. No comando, estará Nilma Lino Gomes: Pedagoga, mestra em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutora em Sociologia pela Universidade de Coimbra, e pesquisadora das áreas de Educação e Diversidade Étnico-racial, com ênfase especial na atuação do movimento negro brasileiro.

Para Nilma, a reforma anunciada não traz ruptura ou descontinuidade para o governo, mas o aprimoramento do que já tem sido feito. “Esse ministério é um grande desafio, é uma organização nova. Nós pretendemos dar continuidade e integrar políticas de promoção de igualdade racial, as políticas voltadas para as mulheres, para os direitos humanos. Queremos dialogar com a sociedade para que possamos trabalhar de forma cada vez mais integrada e que isso possa fortalecer as políticas que já vem acontecendo, além de sermos criativos de forma a construirmos novas políticas”, afirmou.

Porém, o Movimento Social Negro avalia que a supressão da Seppir representa um grande retrocesso para a população negra, que corresponde mais de 50% do total dos brasileiros e brasileiras. Nos últimos 12 anos, as políticas de promoção da igualdade racial tiveram avanços expressivos para os diversos grupos étnicos existentes no Brasil, com o fortalecimento das cotas raciais e sociais; criação dos conselhos municipais e estaduais; aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e a visibilidade do combate ao racismo.

É preciso seguir em frente, os discursos tem que dar lugar à prática, propiciar uma política de Estado eficiente! Axé!

Com informações do Blog do Planalto e Portal da Igualdade Racial
Fonte: Coluna Axé – 362ª edição – Jornal Tribuna Independente (06 a 12/10/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Indígenas graduados

O dia 25 de setembro foi histórico em Alagoas! A Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) promoveu na cidade de Palmeira dos Índios, a colação de grau de 69 professores(as) indígenas nos cursos superiores de Ciências Biológicas, Pedagogia, Letras e História. 

Os graduados são oriundos das etnias Xucuru-Kariri (Palmeira dos Índios), Tingui-Botó (Feira Grande), Karapotó Plak-ô (São Sebastião), Kariri-Xocó (Porto Real do Colégio), Koiupanká (Inhapi), Jiripancó (Pariconha) e Wassu-Cocal (Joaquim Gomes). 

Desde 2010, foram implantadas as aulas do Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Interculturais Indígenas (Prolind/Secadi), uma realização da Uneal, por meio do convênio com o Ministério da Educação, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). 

A cerimônia reuniu autoridades políticas, a exemplo de Luciano Barbosa (vice-governador e secretário de Estado da Educação) e Iraci Nobre da Silva (Coordenadora Geral do Prolind/Uneal); além de docentes, gestores da Uneal, familiares e amigos dos formandos. 

O reitor da Uneal, Jairo Campos, explicou que essa foi a primeira ação do gênero. “Sei que não se pode mudar a História, os rumos já tomados. Mas, nunca é tarde para reorientar os passos a serem dados e escrever outra História. Não queremos, nem tampouco é nosso objetivo, entrar na celeuma das ações afirmativas e das ideologias que circulam na academia sobre isso. Quero, tão somente, lembrar a todos da dívida histórica que temos com os nossos povos indígenas, em Alagoas, com as doze etnias que aqui vivem”, destacou. Os pronunciamentos estão disponíveis no site: http://www.uneal.edu.br/. 

No encerramento, todos se uniram para celebrar a grande conquista com o tradicional toré, uma dança e um dos símbolos da cultura indígena, que busca enaltecer atos, fatos e feitos relativos à vida e aos costumes dos povos indígenas. 

Parabéns aos guerreiros e guerreiras indígenas, desejamos mais sucesso e agradecemos pelo exemplo!



Fonte: Coluna Axé - 361ª edição – Jornal Tribuna Independente (29/09 a 05/10/15) / Cojira- AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Reconhecimento musical

Natural de Maceió, o alagoano Djavan Caetano Viana – cantor, compositor, produtor musical e violonista – tem 66 anos e é considerado um dos ícones da música popular brasileira. 

Possui coletâneas, cinco DVDs, produziu em 2014 a caixa com a obra completa em alusão aos 40 anos de carreira e atualmente encontra-se na produção do seu 26º álbum com músicas inéditas. É o criador de clássicos musicais que embalaram casais apaixonados e não podem faltar no repertório das apresentações em barzinhos e de artistas consagrados. 

Detentor de vários títulos, a exemplo do Troféu Imprensa de Melhor Cantor (1981–2000); já recebeu no Grammy Latino o Prêmio de “Melhor Música Brasileira” com a canção “Acelerou” (2000) e o álbum “Ária” foi eleito o “Melhor Álbum de Música Popular Brasileira” (2011). Agora, a Academia Fonográfica Latino-Americana concederá o Prêmio Honorário à Excelência Musical em reconhecimento ao seu legado na cultura e na música latina. 

Djavan é conhecido internacionalmente pela sua singularidade, possui um estilo próprio de cantar, utiliza poesia e harmonia em suas composições, além de valorizar a mistura de ritmos (samba, pop, funk e jazz). 

No site oficial http://www.djavan.com.br/, foi divulgado o agradecimento do artista: “É uma alegria imensa receber esse prêmio que contempla a minha obra e toda a minha carreira. Eu quero agradecer à Academia por esse e por outros prêmios que já ganhei, pois eles representam grande motivação para o meu trabalho”.

A 16ª edição do Grammy Latino acontecerá no dia 18 de novembro, em Las Vegas, Estados Unidos, onde serão homenageados um seleto grupo de artistas da Espanha, Cuba, Argentina, República Dominicana, Uruguai, Porto Rico, Chile e Venezuela. Djavan será o único brasileiro, um motivo de honra e orgulho!


Fonte: Coluna Axé – 360ª edição – Jornal Tribuna Independente (22 a 28/09/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Sinapir 2015

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) da Presidência da República, publicou no dia 1º de setembro, no Diário Oficial da União (DOU), o resultado final do Edital Sinapir 2015. A comissão responsável pelas seleções avaliou 196 propostas oriundas de várias partes do país. 

Após período recursal, foram selecionados 67 projetos em três áreas de ação: Articulação Interfederativa (35 propostas classificadas); Ações Afirmativas (29 propostas classificadas); e Comunidades Tradicionais (03 propostas). 

O edital do Sinapir – Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial – Instituído pelo Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010), prevê R$ 4,5 milhões para serem investidos na promoção de políticas de igualdade racial e combate ao racismo. 

Representa uma forma de organização e articulação voltadas à implementação do conjunto de políticas e serviços para superar as desigualdades raciais no Brasil, com o propósito de garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa de direitos e o combate à discriminação e as demais formas de intolerância. Saiba mais no site: http://www.seppir.gov.br/articulacao/sinapir. 

Infelizmente, o Estado de Alagoas não possui projetos inscritos entre os selecionados, e mais uma vez, ficamos atrasados quanto ao investimento sociopolítico e cultural das questões étnicorraciais; e a política de governo fica restrita ao mês de novembro. Precisamos de uma política de Estado eficiente e não esporádica!

Fonte: Coluna Axé – 359ª edição – Jornal Tribuna Independente (15 a 21/09/15) / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O PME e os desafios da Educação

Por: Valdice Gomes - Jornalista


O Plano Municipal de Educação (PME) foi, mais uma vez, tema de discussão em uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Maceió, na última sexta-feira, dia 04 de setembro, marcada por intenso debate, com muitos protestos e palavras de ordem. É que apesar da amplitude do Plano e das inúmeras propostas, metas e estratégias em busca de uma educação inclusiva para o combate ao analfabetismo e à desigualdade, a maioria dos presentes estava mesmo interessada na polêmica criada pelos representantes das igrejas católica e evangélica, em torno do termo “identidade de gênero” previsto na versão inicial do plano.
 
A secretária Ana Dayse, ao defender o PME, reafirmou que o mesmo foi construído por uma ampla comissão formada por mais de 50 pessoas, e que trata do acesso das minorias à educação e do respeito às diversidades. Grandes desafios para os gestores municipais.
 
Para o representante do Grupo Gay de Alagoas (GGAL), Nildo Correia, o debate sobre a importância do Plano vem sendo ofuscado quase na sua totalidade pelo destaque atribuído, de forma leviana, à questão de gênero, diversidade e temas transversais. Segundo ele, em nenhum momento o Plano faz apologia ao sexo. Mas, os religiosos continuaram exigindo a retirada das expressões “estudos de gênero” e “promoção da igualdade nas relações de gênero”.
 
O deputado federal Givaldo Carimbão, que se declara da bancada religiosa na Câmara Federal, também esteve na audiência, para apoiar a retirada das expressões e pedir o voto dos vereadores. Entre os que fizeram a defesa do Plano na forma que foi construída pelos técnicos, incluindo a discussão de gênero, falaram o vice reitor da Uneal, membro efetivo do Conselho Estadual de Educação e vice-presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir), Clébio Araújo; o pró-reitor de graduação da UFAL, Amauri Barros e a vereadora Heloísa Helena.
 
A audiência pública foi solicitada pela secretária Ana Dayse, e encerrou um total de 18 audiências públicas com o objetivo de socializar o documento que vai nortear a educação básica no município de Maceió. Como disse o jornalista Ricardo Mota em seu comentário na TV Pajuçara, o que o plano propõe discutir é a tolerância e o respeito às mulheres, aos homossexuais, aos negros, aos índios, às pessoas com deficiência, o que sempre ou quase nunca exercemos no cotidiano, e sem hipocrisia.
 
Esperamos que os vereadores de Maceió reflitam sobre a realidade da educação no Município, os índices de exclusão e violência que atingem crianças e jovens de nossa Capital, e não contribuam para o retrocesso na educação.
 

Fonte: Coluna Axé - 358ª edição – Jornal Tribuna Independente (08 a 14/09/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Um ano de saúde e atividade física

 
 
 
Hoje (02.09) é dia de celebração!
 
Há exatamente um ano, eu e minha mãe, retomamos a prática esportiva e a qualidade de vida. A natação e a hidroginástica não saem mais da nossa rotina. E nós só temos a agradecer à família da Academia Nadart Fênix pelo apoio constante e o auxílio nos exercícios físicos.

No meu caso, a natação deixou de ser apenas uma indicação médica, tornou-se uma paixão, um vício que só traz benefícios ao corpo, alma e mente. Seja a piscina ou o mar, transformaram-se em pontos estratégicos de lazer e encontro com amigos(as).
 
A cada braçada, pernada e respirações tenho superado os meus próprios limites. Renovei o fôlego e resgatei a autoestima. Assim seja!
 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Nenhum direito a menos!

O Governo Federal, sob pressão da grande mídia e da onda conservadora que tem ocupado o debate político nacional, pretende realizar uma reforma administrativa, que representa um retrocesso sociopolítico no Brasil.
 
Diante da ausência de diálogo com os movimentos sociais, foi produzida uma nota pública contra a exclusão das secretarias de Políticas para as Mulheres (SPM), da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), de Direitos Humanos e de Juventude e em defesa do fortalecimento institucional desses órgãos.
 
Até o momento, assinaram a nota 153 instituições do norte ao sul do país, voltadas para grupos socialmente vulneráveis e que atuam em prol de políticas públicas destinadas às mulheres, promoção da igualdade racial, LGBT e juventude.
 
Dentre as instituições, destacam-se: Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN,) Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs), Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), Coletivo Nacional de Juventude Negra – ENEGRECER, Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM),Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas (CONAQ), Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN),Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doença Falciforme (FENAFAL), Fórum Permanente Afrodescendente do Amazonas (FOPAAM), Rede Nacional Afro LGBT, Rede Nacional Lai Lai Apejo – Saúde da População Negra e AIDS, Nação Hip Hop Brasil, União Nacional dos Estudantes (UNE), União de Negros Pela Igualdade (UNEGRO), Visão Mundial; além de centrais sindicais, casas de axé, Núcleos de Estudos Afro Brasileiros de universidades e centros tecnológicos.
 
Também conta com o apoio de personalidades nacionais como: o rapper Dexter (Marcos Fernandes de Omena); Rapper e poeta GOG (Genival Oliveira Gonçalves); o Professor universitário Hélio Santos; a Deputada Estadual e cantora, Leci Brandão; e Valter Silvério – Professor universitário (UFSCAR).
A nota será protocolada na Presidência da República, Casa Civil, Ministério do Planejamento, Câmara dos Deputados e Senado Federal. O documento pode ser lido na íntegra, no blog da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL), acesse: http://cojira-al.blogspot.com.br/
 

Fonte: Coluna Axé – 357ª edição – Jornal Tribuna Independente (01 a 07/09/15) / Cojira-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Agosto da Cultura Popular 2015

Há vários anos, é realizado na periferia de Maceió, o Agosto da Cultura Popular. O evento une tradição e valorização sociocultural, atraindo pessoas de várias gerações e segmentos diversos. Esse ano, conta com a parceria do MovA — Movimento Cultural Alagoano. 

Nesse sábado (29.08) às 14h, iniciam as atividades no Núcleo Cultural da Zona Sul – na Rua Cabo Reis, n. 200, Vergel (vizinho ao Unicompra) – com a roda de diálogo sobre “A cultura popular em questão: produção, fomento e difusão”. A mesa contará com a participação dos professores Bruno César Cavalcanti, Elder Maia e Juliana Michaello, da Ufal, e Ivan Barsand da Asfopal, com a participação como debatedor do antropólogo Edson Bezerra. 

Já as atividades culturais acontecerão na Praça Santa Tereza, a partir das 16h, com: aulão e roda de capoeira (Morcego/Abadá Capoeira); apresentação da Banda Fanfarra (Escola Edson Bernardes) e do Boi Águia (Bumba meu boi); Bateria da Escola de Samba Girassol; Coletivo AfroCaeté (participação de Fagner Dubrown); Tequila Bomb; Banda Afro Afoxé (participação da Afro Zumbi); Afoxé Ofaomin; Civilização Negra; Rogério Dyas e a Trincheira e a apresentação de Maculelê (Mestre Besourão/Escola de Capoeiragem). 

Também terá a participação dos skatistas da Federação Alagoana de Skate; além de um Bazar Cultural, com a exposição de livros com temas da cultura popular e vendas de produtos presença confirmada da Magrela - roupas e acessórios alternativos, Arte e Cultura Atelier, Confraria Nós Poetas, Cordelista Jorge Calheiros, Quintal Cultural e Coletivo AfroCaeté. 

Mais informações: (82) 98845-4068 e 99824-1373 / mova.alagoas@gmail.com / https://movacultura.wordpress.com/


Fonte: Coluna Axé – 356ª edição – Jornal Tribuna Independente (25 a 31/08/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com


terça-feira, 11 de agosto de 2015

Quilombolas em destaque

O Estado de Alagoas possui 67 comunidades remanescentes de quilombo reconhecidas, com aproximadamente 4.366 famílias distribuídas em 34 municípios. 

Nessa semana, acontecerá várias atividades de formação, sociopolíticas e culturais, com o intuito de incentivar a organização e o pertencimento étnico; além de ampliar a discussão de estratégias culturais para a preservação do bem imaterial produzido e na consolidação de políticas públicas. 

De 14 a 16 de agosto, acontecerá o I Encontro de Comunidades Quilombolas e Povos Tradicionais de Terreiro de Alagoas, na Comunidade Quilombola Muquém, no município de União dos Palmares. O encontro é uma realização da parceria dos religiosos de matriz africana e comunidades quilombolas com a Fundação Cultural Palmares-RR/AL; também conta com o apoio do Conepir, Fórum dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana de Alagoas, da Prefeitura Municipal de União dos Palmares, das secretarias estaduais da Comunicação, da Cultura, da Mulher e Direito Humanos, da Secretaria Municipal de Educação de União dos Palmares, Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) e da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Serão realizadas rodas de conversa, dinâmicas e a apresentação de grupos artístico-culturais: o grupo Arafunfun Omanjerè, o Coletivo Afro-Caeté e os Malungos do Ilê. 

Já a comunidade Poços do Lunga, localizada no município de Taquarana, realizará mais uma edição da Festa do Meado de Agosto. Nesse ano, a tradicional celebração pela produção agrícola e as heranças afroculturais, tem como tema central “Comunidades Tradicionais: Terra, Saúde e Resistência”. Na programação terá oficinas: Fotografia; confecção de Abayomis; Danças Afro Brasileiras; Identidade Cultural e Sustentabilidade: construção artística de esculturas a partir de contos da comunidade local com materiais descartáveis e derivados do coqueiro. 

Também terá a palestra sobre “Intercâmbio Brasil/África pelo edital Conexão Cultural Brasil DEZ 2014”; Bate – Papo “O cinema e eu, O cinema e você”; Mostra SESC de Cinema Alagoano Quilombo Lunga o Culto Afro-brasileiro: Oferendas aos Orixás; o Culto Católico: Reza do terço, Procissão e Leilão de prendas; Exposições Fotográficas; e apresentações artístico-culturais: Capoeira, Coco de Roda, Puxada de Rede, Samba de Quilombo e Xaxado, Dança Afro, Boi Amizade, Toré, Banda Afro Mandela, Maracatu Raízes da Tradição, Afoxé Povo de Exu, Mel Nascimento (Samba), Fagner Dübrown (Coco), Rogério Dyas e a Trincheira (Coco e Poesia), Quintal Cultural e Roberto Rasta (Reggae). 

É preciso unir forças, avançar na luta e fortalecer as tradições quilombolas! 


Audiências
O Coordenador Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), Arilson Ventura, estará em Alagoas para participar de uma importante agenda política com o intuito de defender os interesses das comunidades quilombolas alagoanas. Amanhã(12), terá uma na Câmara Municipal de Traipu; e no dia 13, às 9h na Câmara Municipal de Arapiraca, acontecerá a Reunião da Mesa de Acompanhamento da Política de Regularização Fundiária no Território Quilombos de Alagoas, com representantes do Incra-AL, gestores públicos, lideranças quilombolas  e a Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas e Remanescentes de Alagoas – Ganga Zumba. 


Fonte: Coluna Axé – 354ª edição – Jornal Tribuna Independente (11 a 12/08/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com


terça-feira, 4 de agosto de 2015

Viva Capoeira!

O dia 03 de agosto é um dia de festa e reflexão para todos os adeptos e admiradores da Capoeira. Apesar, da data ainda não ser nacionalizada, em alguns estados e municípios foram aprovadas leis que instituíram o dia do capoeirista, o dia da capoeira ou até mesmo a semana municipal da capoeira, como é o caso do Rio de Janeiro, do Ceará, de Fortaleza, de Florianópolis, Porto Alegre e até de Maceió. 

Para celebrar, nessa sexta-feira(07.08), a Câmara Municipal de Maceió realizará uma sessão especial com o tema "Capoeira: Educação e as Políticas Públicas”. A atividade é realizada há vários anos pela Vereadora Tereza Nelma, em parceria com as lideranças desse segmento afro em Alagoas, terá início às 9h com uma grande roda na Praça Marechal Deodoro em Maceió, em seguida terá o debate com a presença de capoeiristas de vários grupos, educadores, pesquisadores e admiradores dessa manifestação cultural. 

Durante todo o mês de agosto são realizados vários eventos em alusão a data. O Grupo Muzenza promoverá o 7º Muzenzumbi e a celebração dos 20 anos no Estado de Alagoas, nos dias 07, 08 e 09 em Maceió, com a participação de mestres que são referências nacionais: Mestre Burguês (RJ), Mestre Raimundo Dias (BA), Mestre Kibe (BA), Mestre Jorge Ceará (CE), Mestre Pantera (SE) e Mestre Ron (SP). Já o Grupo Liberdade realiza 5º Encontro de Capoeira Liberdade nos dias 14 e 15, com o tema central “O Saber Ancestral”, que terá palestra, oficina de maculelê, roda de capoeira, batizado e troca de graduações. 

A Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira foram reconhecidos pelo Iphan como Patrimônio Cultural Brasileiro em julho de 2008 e estão inscritos no Livro de Registro das Formas de Expressão e no Livro de Registro dos Saberes. Em 2014, a Roda de Capoeira também recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) devido a sua importância histórica e representatividade na herança afrocultural, cultura, promoção à saúde e cidadania. 

É um misto de luta, dança, esporte, que exprime pertencimento étnico e pode ser executada por pessoas de várias idades, gênero, crenças e limitações físicas. Durante vários anos foi considerada “vadiagem de malandros”, sendo proibida em 1889 e reprimida, inclusive, com pena, de dois a seis meses de trabalho forçado na Ilha de Fernando de Noronha. 

Atualmente, os capoeiristas continuam lutando pelo reconhecimento da capoeira como mecanismo de socialização e cidadania, necessitam de mais apoio financeiro para executarem o trabalho principalmente nas periferias; e ainda, reivindicam a implantação nas escolas públicas e privadas conforme orienta o Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010). Enfim, a luta continua, quem quer gingar junto?! Paranauê, Paraná!


Fonte: Coluna Axé – 353ª edição – Jornal Tribuna Independente (04 a 10/08/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 28 de julho de 2015

Julho das pretas

O último sábado, 25 de julho, entrou para a história diante da organização e diversidade de atividades em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. 

A data também refere-se ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra; “Rainha Tereza” viveu na década de XVIII no Vale do Guaporé em Mato Grosso, liderou o Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro. Segundo documentos da época, o lugar abrigou mais de 100 pessoas (aproximadamente 79 negros e 30 índios), que resistiram da década de 1730 ao final do século. Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesa. 

Em todo o Brasil, foram realizados eventos com o objetivo de estimular a reflexão sobre as discriminações e vulnerabilidade social que são expostas as mulheres afro-descendentes, além de divulgar a Marcha Nacional das Mulheres Negras 2015: Contra o racismo e a violência e pelo bem viver. Foram promovidas rodas de conversas, seminários, plenária das mulheres, entrega de prêmios, exposições e caminhadas, como por exemplos: a pré-marcha no Festival de Inverno de Garanhuns (PE), na Praia de Copacabana (RJ) e a Marcha do Orgulho Crespo (SP). 

De acordo com a Associação Rede de Mulheres Afro-Latinas, Afro-Caribenhas e da Diáspora (Mujeres Afro), cerca de 200 milhões de pessoas que se identificam como afrodescendentes vivem na América Latina e no Caribe, o que corresponde a 30% da população dessas regiões. No Brasil, as mulheres representam o percentual de 51% da população, e 50 milhões são negras que lutam cotidianamente por respeito, condições dignas de trabalho e equiparidade salarial. 

Infelizmente, as mulheres negras encontram-se no último lugar na escala social, é aquela que possui menor escolaridade, são as maiores vítimas de mortalidade materna (60% dos casos), encontram mais dificuldades no acesso aos serviços de saúde e orientações sobre a amamentação, são as mais rotuladas e exploradas sexualmente na mídia, enfrentam vários tipos de preconceitos estéticos, etc, etc, etc. 

Enquanto isso, é preciso continuar em marcha, lutando por direitos e seguindo os exemplos de Aqualtune, Dandara, Anastácia, Tereza de Benguela, Luísa Mahin, Carolina Maria de Jesus,  Lélia Gonzalez, Tia Marcelina e tantas outras guerreiras. 



Exposição
O Comitê Impulsor da Marcha de Mulheres Negras 2015 em Alagoas e a Rede de Desenvolvimento Humano (REDEH) promoveram no último sábado, 25 de julho, o Lançamento da Exposição “Memória Lélia Gonzalez: O feminismo negro no palco da história”, em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, e o Dia Nacional da Mulher Negra. A exposição permanecerá aberta à visitação de segunda à sexta-feira, até o dia 14 de agosto, no Museu da Imagem e do Som (MISA) localizado na Praça Dois Leões, no bairro de Jaraguá em Maceió. Prestigie! (Crédito da foto: Divulgação) 


Fonte: Coluna Axé  – 352ª edição – Jornal Tribuna Independente (28/07 a 03/08/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

domingo, 26 de julho de 2015

terça-feira, 21 de julho de 2015

Mulheres afro-guerreiras

O mês de julho é também conhecido como o mês das pretas, devido a importância do dia 25 de julho, onde celebra-se o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, e ainda, o Dia Nacional da Mulher Negra e da quilombola Tereza de Benguela (Projeto de Lei do Senado nº 23, de 2009, de autoria da Senadora Serys Slhessarenko).  

A data foi criada em 25 de julho de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingos, República Dominicana. Trata-se de um marco na luta e da resistência da mulher negra, para o fortalecimento das organizações de mulheres negras e lideranças da atualidade, que contribuem para o enfrentamento ao racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais desigualdades raciais e sociais. 

No Brasil, vários segmentos afros e entidades do Movimento de Mulheres realizam debates, seminários, lançamento de livros, desfiles afros e homenagens. Para marcar a data, o Comitê Impulsionador da Marcha Nacional das Mulheres Negras em Alagoas convida a população para prestigiar a Exposição Lélia Gonzalez – O Feminismo Negro no Palco da História, nesse sábado (25.07) às 16h, no Museu da Imagem e do Som (MISA), no bairro histórico de Jaraguá em Maceió. 

Na mesa de abertura, terá a participação de Vanda Menezes (Comitê Impulsor da Marcha de Mulheres Negras), Antonia Ceva (Coordenadora de Pesquisa da Rede de Desenvolvimento Humano - REDEH) e Maria Aparecida Batista de Oliveira (Coordenadora do Núcleo Temático Mulher e Cidadania – UFAL); também terá a exibição do vídeo documentário sobre Lélia Gonzalez – ativista negra, pesquisadora e professora universitária; em seguida, o debate sobre “As contribuições de Lélia Gonzalez para o movimento de mulheres negras contemporâneas”, com a facilitadora Dulce Pereira, feminista, ambientalista negra e professora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP-MG). 

O evento também visa contribuir para a mobilização para a Marcha Nacional, que acontecerá no dia 18 de novembro, em Brasília. Participe das discussões!


Fonte: Coluna Axé - 351ª edição – Jornal Tribuna Independente (21 a 27/07/15) / Cojira-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 14 de julho de 2015

Sinapir 2015

O Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial foi instituído pelo Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010) e regulamentado em 2013, como forma de organização e de articulação do conjunto de políticas e serviços destinados a superar as desigualdades raciais no Brasil. 

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), lançou no início desse mês uma chamada pública para seleção de projetos que contribuam para a implementação do Sinapir em todo o país. Ao todo, serão destinados R$ 4.576.713,00 para três áreas de financiamento: fortalecimento dos órgãos de promoção da igualdade racial; e apoio a políticas públicas de ação afirmativa e para comunidades tradicionais. 

A inscrição deve ser realizada no site do Siconv (www.convenios.gov.br/portal/) e segue até o dia 31 de julho, e podem participar órgãos da administração pública direta (estados, municípios e DF) e consórcios públicos com atuação voltada ao enfrentamento do racismo e à promoção da igualdade racial. 

O requisito primordial na adesão no Sinapir, é a existência de órgãos e conselhos voltados para a promoção da igualdade racial em âmbito local, e ainda, modalidades de gestão (básica, intermediária e plena) cuja diferenciação está na capacidade de gestão do órgão de promoção da igualdade racial local. Até o dia 30 abril de 2015, foram registrados 197 órgãos e 106 conselhos em todo o país, entre municipais, estaduais e federais. 

Infelizmente, o Estado de Alagoas, apesar de ter o Conepir, ainda vivencia a ausência da Diretoria ou Superintendência de Igualdade Racial na Secretaria de Estado da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos. Até quando esse atraso permanecerá? Alagoas, continuará sem receber os recursos públicos? 


(Com informações da Ascom Seppir)

Fonte: Coluna Axé – 350ª edição – Jornal Tribuna Independente (14 a 20/07/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com



domingo, 12 de julho de 2015

Trilha sonora - fim de semana (11 e 12.07.15)

Jogue suas mãos para o céu, e agradeça se acaso tiver alguém, que você gostaria que estivesse sempre com você.

 

sábado, 11 de julho de 2015

Master de natação

Depois dos 30, a gente inventa de ser "atleta", de ser mais feliz e ter qualidade de vida. 

E quando o nosso espírito estar bem, a gente passa a testar todas as limitações, sentir novos desejos, buscar diversos horizontes... A gente começa a observar a vida com outros olhos, com menos culpa e cobranças, o mais importante é a superação e a diversão.

Nesse sábado(11.07) pela manhã, a Federação Aquática do Estado de Alagoas (FAEAL) promoveu o Interacademias Master de Natação (2015). E pela primeira vez, estive em uma competição de natação na piscina. 

Participei da categoria 30+ em três provas: nos 50m livre, foram quatro competidoras e fiquei em terceiro; nos 50m peito, o desafio foi com apenas uma colega da Academia Nadart e ela foi bem mais rápida, onde me restou apenas a prata e um palmo de língua do lado de fora (risos); e de última hora, fui encaixada em uma equipe de revezamento misto 4x50m livre, foram cinco equipes bem diversificadas e com nível equilibrado, e o meu grupo conseguiu ficar em terceiro. 

Eu só tenho que agradecer a todos os professores e colegas de turma pelo incentivo e por mais essa experiência. São mais três medalhinhas na minha singela coleção, para satisfazer a menina baixinha e gordinha que sempre teve medo de competir, e ainda, a jornalista esportiva que ficou reprimida no passado.

Sem dúvidas, mais um dia especial, com a conquista de mais amigos e risadas constantes. Até o próximo desafio!













terça-feira, 7 de julho de 2015

O racismo escancarado

O racismo segundo o dicionário Michaelis, é: “1. Teoria que afirma a superioridade de certas raças humanas  sobre as demais. 2. Caracteres físicos, morais e intelectuais que distinguem determinada raça. 3. Ação ou qualidade de indivíduo racista. 4. Apego à raça”. Na área da jurisprudência (ciência do Direito e da legislação), trata-se de um crime sujeito à pena de prisão, inafiançável e imprescritível. E no cenário mundial, tem se configurado como uma prática corriqueira, que atinge pessoas de várias classes sociais, formações, gênero e crença. Muitas vezes, configurado como injúria racial, as penas passam a ser brandas ou inexistentes. 

A primeira legislação brasileira com a temática da igualdade racial foi a Lei nº1.390 em 1951, conhecida como Lei Afonso Arinos, “inclui entre as contravenções penais a prática de atos resultantes de preconceitos de raça ou de cor”; em 1985, a Lei nº7.437 modificou o conteúdo. Também teve a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que definiu os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. 

Com o passar dos anos, as leis são atualizadas e tornam-se mais avançadas, a exemplo do Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010) destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica. 

Porém, no último dia 3 de julho - Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial – mais um caso emblemático de racismo ocorreu no Brasil. Uns 50 criminosos publicaram comentários racistas na página no Facebook do Jornal Nacional direcionados à jornalista negra Maria Júlia Coutinho, como: “preta imunda”, “macaca”, “só conseguiu emprego no JN por causa das cotas” e piadas racistas. Enquanto isso, milhares de pessoas manifestaram a indignação e o repúdio aos criminosos; a Rede Globo informou através de uma nota que retirou as mensagens da página e ainda "estuda as medidas judiciais cabíveis". 

A emissora também poderia utilizar o seu grande poder de influência e cobertura, não apenas para mostrar a solidariedade à funcionária, mas também, prestar um favor a toda sociedade: com a ampliação de jornalistas e apresentadores negros; diversificação das pautas, denunciando outros casos de racismo e os efeitos nocivos na psique e formação de indivíduos; elevar a autoestima da população negra com uma programação que represente a diversidade étnicorracial, respeitando sua cultura e heranças, parar de utilizar os artistas negros(as) prioritariamente como personagens subalternos ou bandidos nas telenovelas; dentre outros. 

Infelizmente, existem outras Majus espalhadas por aí, sem qualquer apoio, sem autoestima, vítimas do sistema e da barbárie humana. A discriminação racial sempre existiu; é versátil, ocorre em qualquer local; conquista mais adeptos e amplia o seu poder de destruição. Enquanto continuar impune, haverá desrespeito, haverá guerra! A luta por igualdade tem que ser diária... racismo é crime! 


Maju
Maria Júlia Coutinho é apenas mais um alvo de ofensas racistas na Internet, porém, devido a repercussão internacional comoveu várias pessoas que aderiram à campanha midiática #somostodosmaju. Em seu perfil no Facebook, a jornalista classificou os ataques como “uma tempestade de burrice'' e informou que medidas judiciais “já estão sendo tomadas''. Também Fez um pronunciamento ao vivo na última sexta-feira(3) em pleno Jornal Nacional, com uma postura ética e firme, que rendeu a simpatia do público e várias mensagens de apoio. A competente profissional já trabalhou como repórter, mestre de cerimônias, apresentadora de telejornais na TV Cultura (SP), e há um ano, é a primeira negra na condição de “moça do tempo” no quadro de previsão meteorológica. “Minha militância é fazer meu trabalho bem feito, sem esmorecer, nem perder a serenidade. Os preconceituosos ladram, mas a caravana passa”. (Crédito da foto: Divulgação) 


Coluna Axé – 349ª edição – Jornal Tribuna Independente (07 a 13/07/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

domingo, 5 de julho de 2015