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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Vamos subir a Serra

A programação do mês da consciência negra começou com força em Alagoas, repleta de atividades que promovem a reflexão sobre o episódio histórico da luta por liberdade e dignidade no Quilombo dos Palmares; além da valorização da cultura e história afro-brasileira, o combate ao racismo. De 15 a 19 de novembro de 2017, a orla da Pajuçara em Maceió, será palco de um encontro educativo, cultural, político-econômico-social e histórico, com o projeto/evento Vamos Subir a Serra!

Trata-se de uma realização do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, entidade vinculada aos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs), em parceria com a Núcleo Zero e gestão de Simone Benchimol; e conta com o patrocínio do Sebrae, da Braskem e da Federação das Indústrias de Alagoas (FIEA), além da parceria da Prefeitura de Maceió, por meio da Fundação Municipal de Ação Cultural e do governo federal, através da Fundação Cultural Palmares.

A finalidade é fomentar e evidenciar as potencialidades do povo negro através de eventos simultâneos com a temática étnico-racial, tais como: feira de produtos afros-quilombolas, ciclo de palestras com nomes de referência local e nacional, tendo como foco o empreendedorismo afro, pertencimento étnico, turismo étnico, empoderamento da mulher negra e a Serra da Barriga como marco fundante.

As oficinas possuem inscrições gratuitas (uma hora antes) com 40 vagas: a primeira acontecerá nessa quarta-feira(15) das 8h às 10hs com o tema: Empoderando, embelezando, glorificando as mulheres com o uso de turbantes – “Seu turbante, sua coroa”, ministrada por Lucélia Tayná; em seguida, das 10h30 às 12h30, será a vez da Oficina Bate cachos – corte a seco ao vivo e tudo sobre cuidados em casa, com Tamires Melo; no dia 16 de novembro, quinta-feira, das 8h às 12h30. Neste dia, a primeira abordará o tema Marketing pessoal – “Você é o seu melhor produto”, com o jornalista e psicólogo Carlos Gonçalves e a participação de Yalla Barros, profissional de estética negra. Das 10h30 às 12h30, será a vez da oficina Empreendedorismo e Produção Cultural, tendo como oficineiro Jonathan Santos Silva, administrador de empresas e coordenador do Cenafro.

Também terá cine-fórum, performances artísticas culturais; o Fala Preta #tireavendadoracismo no dia 15 a partir das 14hs, seguido do desfile Afro-in com a apresentação da cantora Mel Nascimento; e uma viagem pela história do Quilombo dos Palmares, em visitação no dia 18 à Serra da Barriga, em União dos Palmares. Todos os participantes terão direito a certificado online.

A entrada é gratuita, das 8h às 22h, prestigie! Mais informações: (82) 99999-1301 / 98878-7484 / anajo.vamossubiraserra@gmail.com. Acompanhe a página: https://www.facebook.com/vamosSubiraSerra/


Formação
No evento Vamos Subir a Serra! terá uma edição especial do projeto Tambor Falante na quinta-feira(16) às 16h com o tema Pertencimento Étnico, com a participação de Lepê Correia (foto): Psicólogo, Educador e Pesquisador de culturas e tradições afros e brasileiras; Mestre em Literatura e Interculturalidade; Doutorando em Literatura e Interculturalidade. Também foram convidados como palestrantes nacionais: Érico Brás (ator, cantor e humorista) que falará sobre “Mídia e Racismo” no dia 16 às 19h; e Kênia Maria (atriz, escritora e roteirista, nomeada Defensora dos Direitos das Mulheres Negras pela ONU Mulheres) que abordará no dia 17 às 16h, o tema “Empoderamento da mulher negra”. (Crédito da foto: Divulgação)


Fonte: Coluna Axé – 467ª edição – Jornal Tribuna Independente (14 a 20/11/17) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Patrimônio histórico, cultural e social

A Serra da Barriga localizada no município de União dos Palmares, zona da mata alagoana, foi a sede administrativa do Quilombo dos Palmares – “república negra” que possuiu uma organização sócio-política-militar, com mais de 10 mocambos (esconderijos) estratégicos distribuídos na zona da mata, entre os estados de Alagoas e Pernambuco, ocupou uma área de aproximadamente 200km² e resistiu por aproximadamente 100 anos, chegou a ter uma população superior a 20.000 habitantes formada por escravos fugidos, indígenas e brancos empobrecidos.

Atualmente, a Serra da Barriga é considerada um templo sagrado, símbolo da liberdade e da resistência negra, além de ser o palco de grandes homenagens à luta por igualdade racial e contra o racismo. Desde novembro de 1986 foi inscrita no Livro de Tombamento Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, e ainda, foi reconhecida como Monumento Nacional no ano 1988, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

E agora, pode se tornar Patrimônio Cultural do Mercosul, já que, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) estar sendo produzido um dossiê, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura (Secult), Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Fundação Cultural Palmares, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), instituições públicas e sociedade civil. 

O documento será entregue em março para avaliação da Comissão de Patrimônio Cultural do bloco econômico, e a candidatura será inserida na proposta “La Geografía del Cimarronaje: Cumbes, Quilombos y Palenques del MERCOSUR”, concorrendo com outros juntamente com Colômbia, Equador e Venezuela, que também apresentaram sítios de interesse para a valoração da contribuição africana no continente sul-americano.

Outra notícia positiva, mencionada no início desse mês, foi a pavimentação do acesso à Serra da Barriga que foi confirmada pela Secretaria de Transporte e Desenvolvimento Urbano e a expectativa é que a obra seja finalmente concluída e inaugurada no dia 20 de novembro, durante as comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra e Zumbi dos Palmares.

Já passou da hora desse local ter o devido reconhecimento do Poder Público e sociedade. Trata-se de um marco para o Estado de Alagoas e também fortalecerá o turismo étnico na região dos quilombos, além de ser mais um mecanismo na América Latina para a valorização do pertencimento étnico.


Fonte: Coluna Axé – 431ª edição – Jornal Tribuna Independente (21 a 27/02/17) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Visita oficial

Em visita oficial ao Estado de Alagoas, a Ministra de Direitos Humanos e Igualdade Racial,  Luislinda Valois, cumpriu uma extensa agenda sociopolítica.

No domingo, ela esteve pela primeira vez na Serra da Barriga – solo sagrado, palco da resistência negra e sede administrativa do Quilombo dos Palmares – na ocasião, ela conheceu os espaços temáticos do Parque Memorial e obteve mais informações sobre a organização dos guerreiros e guerreiras quilombolas. Ela destacou que foi um momento ímpar em sua vida, de grande valor cultural e histórico. “Ali, naquele espaço tem muita coisa envolvida, é muito profundo, e não devemos explorar aquele espaço somente no campo do turismo”.

A ministra também esteve no Tribunal de Justiça (TJ-AL) e na Secretaria Estadual de Segurança Pública, onde defendeu a inclusão de Alagoas no Plano Nacional de Segurança que visa a mediação entre a Polícia Militar e as comunidades, e ainda, a implantação de uma delegacia especializada na repressão ao racismo, xenofobia, homofobia, lesbofobia e outros crimes de ódio.

No encontro com representantes dos segmentos afros, reafirmou o seu compromisso para a implantação de políticas públicas para combater a desigualdade social e étnicorracial.

Ministra
A ministra Luislinda Valois (foto) reuniu-se nessa segunda-feira(13), no auditório Aqualtune do Palácio República dos Palmares, com gestores, gabinete civil, assessores técnicos das secretarias de Cultura e Educação, e Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral); representantes dos segmentos afros, a exemplo, da Federação Alagoana de Capoeira (Falc) e Federação dos Cultos Afros Umbandista do Estado de Alagoas; liderança da aldeia Wassu Cocal; membros da comissão de direitos humanos na OAB/AL; além dos presidentes dos conselhos estaduais da Mulher, LGBT, Direitos Humanos e Conepir.



Fonte: Coluna Axé – 430ª edição – Jornal Tribuna Independente (14 a 20/02/17) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Protestos no 20 de novembro



A solenidade oficial de celebração do 20 de novembro – Dia Nacional  da Consciência Negra, ocorrida no último domingo, na Serra da Barriga foi marcada por protestos contra o governo federal.

Integrantes do Levante Popular da Juventude e de outros movimentos sociais portando faixas e com palavras de ordem de “Fora Temer” e “Golpistas e racistas não passarão”, protestaram contra a PEC 55, que bloqueia gastos e investimentos públicos e a reforma do ensino médio, ambas de autoria da atual gestão do governo federal. Os capoeiristas também marcaram presença na Serra com faixas denunciando o racismo institucional, o extermínio da juventude negra, a violência contra a mulher negra e o descumprimento do Estatuto da Igualdade Racial.

Mas o Dia da Consciência Negra não foi de protestos só em Alagoas. É importante registrar que também em outros pontos do Brasil, como em São Paulo, Salvador, Curitiba (PR) e Juiz de Fora (MG) entre outras localidades, o movimentos negro foi às ruas reivindicar a reforma da mídia para a democratização da comunicação; desmilitarização da polícia, o fim dos autos de resistência, e destinação de mais recursos para as políticas de inclusão social; implementação das leis antirracismo; direito de expressão das religiões de matriz africana. Além disso, os manifestantes protestaram contra o genocídio da juventude negra, contra o machismo e a violência contra a mulher negra. Lamentável que algumas autoridades tenham se exaltado nas críticas aos manifestantes atribuindo interesses políticos.

Os protestos legítimos ocorridos tanto na Serra da Barriga como em outros locais pelo Brasil afora, no dia dedicado a Zumbi dos Palmares, devem ser entendidos pelas autoridades incomodadas como sinal do grau de insatisfação que a cada dia cresce na sociedade brasileira, especialmente na classe trabalhadora e na população negra, que é maioria no Brasil e principal prejudicada com a reforma no ensino médio e com as medidas previstas na PEC 55. O objetivo é combater qualquer retrocesso às conquistas democráticas e ameaças aos direitos conquistados pela população negra nos últimos anos.



Parceria
Durante a cerimônia do 20 de novembro na Serra da Barriga, foi assinado um termo de cooperação entre a Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura e a Universidade Estadual de Alagoas, respectivamente representados pelo presidente da FCP, Erivaldo Oliveira da Silva e o Vice Reitor Clébio Araújo (foto). Em 2017, a Uneal será a responsável pelo desenvolvimento sustentável do turismo e da cultura no Parque Memorial Quilombo dos Palmares e em seu entorno. Tem como incumbência dinamizar e contribuir para o desenvolvimento cultural e formação, envolvendo inicialmente as redes escolares estaduais e municipais com visitas sistemáticas à serra; além de exposições, oficinas, cursos, apresentações de grupos afros e feira cultural dos quilombolas. Eis uma grande notícia!


Fonte: Coluna Axé – 418ª edição – Jornal Tribuna Independente (22 a 28/11/16) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Novembro Afro

Chegou o mês da consciência negra e com ele vem a efervescência cultural dos diversos segmentos afros em todo território nacional.

A data 20 de Novembro foi escolhida simbolicamente para marcar o dia da morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores líderes do Quilombo dos Palmares: o símbolo de resistência e luta contra a escravidão no Brasil. Durante todo o mês, serão realizadas palestras, debates em escolas, seminários, oficinas temáticas, apresentações artísticas, lançamentos de livros, passeios étnicos em comunidades quilombolas, museus afros e na Serra da Barriga (União dos Palmares/AL) – Patrimônio Nacional, que foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1986.

No Estado de Alagoas, as atividades ocorrerão na capital Maceió e na cidade União dos Palmares em vários pontos simultaneamente. A Fundação Cultural Palmares e o Ministério da Cultura em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado de Alagoas (Secult) estão promovendo uma ampla programação sócio-cultural em parceria com órgãos públicos, instituições privadas e grupos do Movimento Negro.

Em Maceió, encontram-se as exposições “Lélia Gonzalez: o feminismo negro no palco da história” das 8h30 às 17h no Teatro Linha Mascarenhas e “Raízes, História da Enfermagem Brasileira, Pretas, Campanha Filhos do Brasil” no Parque Shopping Maceió. Ontem, na Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos foram apresentados cinco romances afro-brasileiros contemplados no Prêmio Oliveira Silveira; e a Secult em parceria com a Seduc oficializou o programa “Cultura Ambundu Alagoas”. O Seminário Construção de Indicadores para Salvaguarda da Capoeira de Alagoas ocorrerá hoje(17) a partir das 10h, na Superintendência do Iphan (Rua Sá Albuquerque, 117, Jaraguá, Maceió).

De 17 a 20 de novembro, às 19h, o estacionamento do Parque Shopping será o palco de apresentações culturais e do Festival Quilombola – Conheça os sabores dos quilombos. Também terá o Cine Palmares no Quilombo – Sessão Infantil – no dia 18, na comunidade remanescente de quilombo Muquém localizada em União dos Palmares. Nos dias 23 a 25 de novembro, serão realizadas oficinas de culinária afro-ameríndia, em parceria com o Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau), e contação de histórias com o tema “Encantando a primeira infância, despertando para os direitos humanos”.

A celebração do Dia de Zumbi e do Dia Nacional da Consciência Negra (20) será das 7 às 17h, no Parque Memorial Quilombo dos Palmares localizado no platô da Serra da Barriga; e o ato institucional iniciará às 10h. Na Praça Brasiliano Sarmento, no centro da cidade de União dos Palmares, terá apresentação cultural das 18 às 22h20, com: “Viva o Reggae e Rock” e “Viva o Samba e MPB”; e o espetáculo “Projeção Mapeada – Narrativas em Movimento” às 20h, na Casa Jorge de Lima. De 23 a 25, na Uneal Arapiraca terá o XI Seminário Negritude e Resistência; e no dia 29, o Seminário Estadual Consciência Negra e Diversidade no Palácio República dos Palmares.

Todos esses eventos além de representarem a diversidade afrocultural; exaltam a luta por respeito, igualdade e justiça social; e promovem a reflexão sobre o pertencimento étnico. Axé!


Fonte: Coluna Axé – 417ª edição – Jornal Tribuna Independente (15 a 21/11/16) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 17 de maio de 2016

Patrimônio Cultural

A Serra da Barriga – sede político administrativa do Quilombo dos Palmares, entre os séculos XVII e XVIII, período de lutas contra holandeses, portugueses e a escravidão na economia canavieira. – localizada no município de União dos Palmares, zona da mata do Estado de Alagoas, é considerado o palco da resistência negra e da luta por liberdade. 

Em 1985, foi tombada como Patrimônio Histórico, Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN); e desde 1988 é um Monumento Nacional, que deve ser preservado devido à importância histórica e cultural. É o centro de homenagens, oferendas, pesquisas, encontros, romarias e grandes concentrações durante todo ano, especialmente, no Dia Nacional da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares (20 de novembro).

Agora, é aspirante à Patrimônio Cultural do Mercosul. A candidatura se insere na proposta La Geografía del Cimarronaje: Cumbes, Quilombos y Palenques del MERCOSUR; o aceite da proposta ocorreu durante a XIII Reunião da Comissão de Patrimônio Cultural do MERCOSUL, em Colônia de Sacramento, Uruguai. Também participam da seleção: Equador e Venezuela, que apresentaram sítios de interesse para a valoração da contribuição africana no continente sul-americano.

O Assessor de Relações Internacionais do IPHAN, Marcelo Brito, fez questão de agradecer às pessoas que participaram da elaboração do mini dossiê para a postulação da candidatura: os coordenadores locais (Sandro Gama, Joelma Farias de Cornejo, Greciene Lopes e Rute Ferreira), pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas-UFAL (Aruã Lima, Clara Suassuna, Siloé Soares de Amorim), Zezito Araújo (Secretaria de Educação do Estado de Alagoas), Élida Miranda (Representante Regional da Fundação Cultural Palmares), Cláudia Puentes (representante da Secretaria Estadual de Cultura - SECULT) e a ialorixá Neide Oyá D´Oxum.

A avaliação será no fim do segundo semestre de 2016, na próxima presidência pro tempore do MERCOSUL. Todas as honras e homenagens aos guerreiros quilombolas e aquele solo sagrado são relevantes, vitais para o reconhecimento social e valorização étnica! Axé!


Fonte: Coluna Axé – 391ª edição – Jornal Tribuna Independente (17 a 23/05/16) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Festa e Reflexão

O Dia da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares é celebrado no dia 20 de novembro, em todas as regiões do Brasil, sendo em muitos municípios ponto facultativo. A data faz alusão ao grande líder negro e a importância da organização do Quilombo dos Palmares – símbolo de resistência e luta por justiça social. Porém, durante todo o mês de novembro, são realizadas várias atividades de formação, conscientização e valorização da cultura afro-brasileira; além de refletir sobre o papel do povo africano na formação sociocultural desse País.

Nesse ano, o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos encabeçou a campanha “Novembro pela Igualdade Racial” e foi compartilhado nas suas redes sociais o vídeo ‪#‎LugarDoNegro‬, com colaboração de personalidades negras, onde destacam o papel dos negros e negras na sociedade. Visite o site https://www.brasil.gov.br/igualdaderacial para assistir ao vídeo e conhecer os programas sociais destinado ao desenvolvimento dessa parcela da população.

Em Alagoas, buscando ampliar a reflexão sobre o combate do racismo e a importância do mês da consciência negra, a Fundação Cultural Palmares (FCP), órgão vinculado ao Ministério da Cultura, realizarão várias ações. Amanhã (18), às 9h terá uma visita guiada à Serra da Barriga em União dos Palmares, que iniciará o Seminário “O Turismo Cultural Étnico sob a perspectiva da Economia da Cultura”, fruto de uma parceria entre a Fundação Cultural Palmares; o Governo do Estado de Alagoas, por meio da Secretaria Extraordinária do Desenvolvimento Econômico (Sedet), com o apoio do Ministério do Turismo. Na quinta-feira (19), terá o Encontro Preparatório para o Seminário Internacional da Capoeira 2016; reunião e Posse do Grupo de Trabalho Ministerial da Capoeira.

A FCP também realizará na quinta-feira, em parceria com o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CONEPIR-AL), a Roda de Conversa “Diálogos Palmares: Juventude e Cultura Afro-brasileira na transformação da sociedade” – às 14hs, no Colégio Princesa Isabel localizado no CEPA, bairro do Farol em Maceió. O objetivo é debater sobre alternativas de trajetórias juvenis saudáveis e com perspectiva de vida positiva, por meio de políticas públicas, para o enfrentamento à violência que atinge a juventude negra.

Dando continuidade no sábado (21), terá o Seminário Afro Internacional: O universo das palavras pretas, culturas e ancestralidade; casamento Quilombola em Santana do Mundaú; festa na Comunidade Quilombola em Poço do Sal, Pão de Açúcar; nos dias 27, 28 e 29, o Projeto Viva Zumbi dos Palmares e Mumbaça Cultural. Enfim, tem programação para todos os públicos e gostos, é importante prestigiar e fortalecer a luta por igualdade! O respeito à nossa história e cultura tem que ser diário!

Show
No dia 20, centenas de pessoas subirão a Serra da Barriga para visitar o Parque Memorial Quilombo dos Palmares em União dos Palmares. Serão realizadas várias rodas de capoeira e as homenagens para o herói negro nacional. A partir das 16h, na praça central Basiliano Sarmento, iniciam as apresentações dos grupos culturais locais: Coletivo Afro Caeté, União de MCs, Banda Afro Afoxé, Inaê, Grupo Arafunfun, Igbonan Rocha, Mel Nascimento, Janaína Martins, Afro Nação Dandara, Afro Mandela, além de Afro Contos Afro Cantos. Às 20h, terá o grande show da carioca Mart’nália: cantora, compositora, percussionista brasileira e atriz. Ela iniciou sua carreira aos 16 anos sendo backing vocal de seu pai, o sambista Martinho da Vila, junto com seus irmãos. Atualmente, possui doze álbuns na sua discografia. Confira o site oficial: http://martnalia.com.br/ (Crédito da foto: Divulgação)


Fonte: Coluna Axé – 367ª edição – Jornal Tribuna Independente (17 a 23/11/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Palmares in loco para pernambucanos

O Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô é uma ong vinculada aos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs). Em dezembro, completará dez anos e desde 2007 realiza o projeto Palmares in loco.

O projeto consiste na realização de passeios étnicos na Serra da Barriga em União dos Palmares, onde acontecem as explanações sobre: o Quilombo dos Palmares, guerreiros quilombolas e os espaços temáticos do Parque Memorial Quilombo dos Palmares.

No dia 31 de outubro de 2015, cerca de 70 pessoas articuladas pelo Instituto Histórico e Geográfico de Igarassu (IHGI), visitaram pela primeira vez o palco da resistência negra e conheceram o trabalho do Anajô, que foi representado por Helciane Angélica e Mestre Claudio.

O Anajô participa do movimento social negro, é comprometido com o desenvolvimento de ações sócio-político-culturais e de formação sobre as questões étnicorraciais e de combate ao racismo e outras formas de preconceitos correlatos. Também tem representação nos conselhos: Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir) e Conselho LGBT.






















terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Celebração e Resistência Negra

Representantes de várias casas de axé e ativistas do movimento negro alagoano realizarão nessa quinta-feira(05.02), no município de União dos Palmares, mais um importante momento de celebração e pertencimento étnico.
 
A ação “De volta a Angola Janga” que significa “Minha terra” na língua africana banto, faz alusão à última grande guerra no Quilombo dos Palmares em 1694. Guerreiros e guerreiras quilombolas que lutaram até a morte por justiça e liberdade, porém, o massacre culminou na destruição da Cerca Real dos Macacos (sede administrativa e política do quilombo) e tornou-se símbolo de resistência negra mundial.
 
A programação iniciará às 22h com a acolhida na Chácara Paraíso localizada na Serra da Barriga, onde serão realizadas as apresentações de grupos artísticos-culturais e de religiosos de matriz africana, e a exibição de vídeos. Em seguida, todos os participantes seguirão em caminhada até o Parque Memorial Quilombo dos Palmares localizado no platô da serra, com paradas estratégicas e de reflexão sobre quatro segmentos: capoeiristas; juventude; quilombolas e indígenas; religiosos.
 
A atividade contou com o apoio das secretarias municipais de Cultura e Educação de União dos Palmares; Núcleo de Identidade Étnicorracial de União dos Palmares; Projeto Inaê/GUESB; Associação Adapo Muquém; fábrica Bom Leite; e Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
 
Parabéns pela iniciativa, mas a luta por respeito continua... afinal, a felicidade do negro é uma felicidade guerreira! Axé!
 

Fonte: Coluna Axé – 329ª edição – Jornal Tribuna Independente (03 a 09/02/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com
 

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Retrospectiva afroalagoana 2014

O ano de 2014 foi marcado pela luta na defesa de políticas públicas, para beneficiar os segmentos da população alagoana historicamente marginalizados. Porém, a inclusão da política de igualdade racial, concentra-se em poucos municípios alagoanos (Maceió, União dos Palmares, Viçosa e Arapiraca) que intensificaram a realização de seminários e a programação cultural no mês da consciência negra.

Um avanço primordial foi a implantação dos conselhos estaduais: Promoção da Igualdade Racial (Conepir-AL) e de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CECD/LGBT). São espaços expressivos de controle social e empoderamento, que só foram estabelecidos após inúmeras reivindicações das entidades e a intervenção do Ministério Público Estadual, através da 61ª Promotoria de Justiça da Capital. Os desafios continuarão, pois é o preciso instituir os conselhos municipais e secretarias especializadas para garantir mais recursos federais.  

No aspecto religioso, foi criado o Fórum dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana de Alagoas, investindo na união entre os babalorixás e yalorixás, para a realização de ações conjuntas em homenagens aos orixás e que combatam a intolerância religiosa, a exemplo da caminhada para refletir o Quebra de Xangô (02 de fevereiro) e o Dia de Iemanjá (08 de dezembro). Paralelamente, articulou-se a Juventude de Terreiro (Jdt-AL), que promovem encontros em praças e casas de axé, buscando ampliar a integração e os debates sobre pertencimento étnico, histórias das religiões de matrizes africanas e mortalidade de jovens negros.

Já a cultura afroalagoana é só efervescência, com a proliferação de editais e festivais para todos os gostos que só enaltecem o potencial artístico e valorizam o trabalho dos grupos, a exemplo, do projeto Giro de Folguedos executado pela Prefeitura de Maceió. As antigas bandas afros estão se reorganizando; maracatus e grupos percussivos se apresentaram fora do Estado; a dança afro e afoxés ganharam os palcos teatrais. 

O segmento da capoeiragem anda bem ativo, as duas federações (Falc e Feceal) ampliaram o número de atividades ao longo do ano, com encontros de formação, debates políticos, rodas abertas, aulões e oficinas. A capoeira tornou-se Patrimônio Cultural da Humanidade e o dia 03 de agosto foi reconhecido como Dia Estadual da Capoeira e do Capoeirista. 

No Parque Memorial Quilombo dos Palmares no platô da Serra da Barriga em União dos Palmares, a Fundação Cultural Palmares investiu em uma reforma que durou vários meses, mas, ainda apresenta falhas na infraestrutura que não foram sanadas como: falta d´água, a ampliação de cestas de lixo, os bancos não foram repostos e os áudios com a história do Quilombo (em quatro idiomas) ainda estão passando por manutenção. Esse é o nosso solo sagrado, palco da resistência negra, precisa de mais cuidado.

Que venha 2015! A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL) deseja que o ano seja produtivo, com mais conquistas, compromisso social e mais visibilidade dos segmentos afros na mídia. Axé!


Fonte: Coluna Axé – 324ª edição – Jornal Tribuna Independente (30/12/14 a 05/01/15) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Programação afrocultural

Chegamos à semana da consciência negra, onde as atividades voltadas à exaltação da cultura afrobrasileira, encontros de formação e reflexão social se intensificam em todo o país.

A Prefeitura de Maceió através da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) realizará nessa quarta-feira (19), a segunda edição do projeto Saurê Palmares. A programação iniciará às 15h, com a Rota do Saurê, Centro (calçadão da Rua Boa Vista, proximidades da Igreja do Livramento e em frente ao antigo Produbam), com a participação da Banda Afrodara, Banda Afro Afoxé, Afoxé Ofá Omin, Grupo Ginga Terapia, Coco de Roda do Grupo Folclórico Ganga Zumba, Maracatu Raízes da Tradição. E às 16h, as apresentações artísticas continuam na Praça Palmares com: Orquestra de Tambores, Toni Edson, Banda Afro Mandela, Grupo Afoxé Odô Iyá e Chico César. 

Também estão previstas: oficina Cabelo e Identidade (Tamires Melo), oficina Mandala da Miscigenação (Achiles Escobar), exposição “Águas de Oxalá, Caminhos da Transformação”; exposição de cordéis, feira de comidas típicas, acessórios, roupas de capoeira e instrumentos musicais, produtos artesanais, esculturas e expressões plásticas.

Já em União dos Palmares, de 18 a 20 de novembro, as ações acontecerão no centro da cidade, na comunidade remanescente de quilombo Muquém, no Parque Memorial Quilombo dos Palmares localizado no platô da Serra da Barriga. Estão previstos o escambo cultural no auditório da prefeitura sempre às 14h, rodas de diálogo sobre “Protagonismo da Juventude Negra na cultura” e “Políticas Públicas e Tradições Culturais – Mestres da Cultura”; e ainda, as oficinas de jongo, dança afro, turbante, afro cantos e afro contos para os moradores de Muquém.

E no Espaço Zezito Araújo (Quadra de Esporte) às 18h, terá a resistência negra em cortejo com o desfile de grupos tradicionais e apresentações. Já no palco Abdias Nascimento acontecerão os shows a partir das 19h, com grupos locais e atrações nacionais como Olodum (18) e a banda de samba Fundo de Quintal (20). 

É programação para todos os gostos e atitudes, mas, o pertencimento étnico tem que ser todos os dias! Axé!


Coluna Axé – 319ª edição – Jornal Tribuna Independente (18 a 24/11/2014) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Novembro Afro

O mês da consciência negra chegou, e com ele, proliferam-se em várias partes do país, as ações sociopolíticas, apresentações culturais e eventos de formação em alusão ao 20 de novembro: Dia Nacional da Consciência Negra e Dia de Zumbi dos Palmares (heroi nacional e líder da resistência negra). 

Atualmente, estima-se que 1047 cidades brasileiras já decretaram feriado nessa data, e no Estado de Alagoas a determinação deve ser cumprida conforme a Lei Estadual Nº 5.724, de 01.08.1995. Durante todo o mês, várias atividades serão realizadas em instituições de ensino, nas casas de axé, praças públicas e nas sedes de organizações que combatem o racismo e outras formas de opressão. 

A Fundação Cultural Palmares (FCP/MinC) está apoiando uma ampla programação no período de 15 a 20 de novembro em Alagoas, que divide-se entre a cidade de Maceió, a comunidade remanescente de Quilombo Muquém e o Parque Memorial Quilombo dos Palmares/Serra da Barriga em União dos Palmares. 

Terá o seminário de Fomento à Cultura Afro-brasileira e Saúde da População Negra; Feira do Livro; Edição especial do Escambo Cultural; oficina de percussão com Nana Vasconcelos; oficinas de hip hop; a Cavalgada da Liberdade; a exposição “Centenários Negros e Personalidades Negras de Alagoas”; homenagem aos capoeiristas de Alagoas; entrega de certificações de comunidades quilombolas; o Cortejo Issegum Caojubá; o Tributo ao centenário de Abdias Nascimento com o grupo de samba Fundo de Quintal, além de apresentações de grupos culturais e artistas locais. 

Esse é um importante período para celebrar a herança afrocultural e fortalecer a luta por justiça social e igualdade racial. Mas, a negritude e o pertencimento étnico tem que ser todo dia!


Fonte: Coluna Axé – 317ª edição – Jornal Tribuna Independente (04 a 10/11/2014) / Cojira-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 8 de abril de 2014

Jornalistas e igualdade racial

O dia 02 de abril de 2014 tornou-se um marco histórico para a categoria profissional de jornalistas, pela primeira vez, ocorreu o Encontro Nacional dos Jornalistas pela Igualdade Racial (1º Enjira) em Maceió. O evento integrou a programação do 36º Congresso Nacional de Jornalistas, que foi promovido pela Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e o Sindjornal, além de contar com apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR/PR).

Estiveram reunidos jornalistas e acadêmicos(as) e convidados(as) afrodescendentes e aqueles identificados(as) com a luta pela igualdade racial de todo o país, para discutir o tema “Os jornalistas e a Construção da Igualdade Racial na Mídia”. Teve como resultado a aprovação de 12 propostas prioritárias que foram divididas nos eixos de formação profissional, atuação sindical e democratização da comunicação. São elas:

1. Orientar os sindicatos dos jornalistas do Brasil que negociem em seus acordos coletivos para que seja garantida a cota de 20% de negros e negras nas contratações das empresas de comunicação;
2. Que a Fenaj e os sindicatos garantam que o Enjira seja realizado periodicamente a cada dois anos;
3. Realizar ampla pesquisa nacional etnicorracial para identificar os(as) jornalistas negros(as) que estão dentro e fora do mercado de trabalho;
4. Fazer uma moção de apoio ao projeto de lei que define o percentual de 20% de cotas raciais nos concursos públicos, incluindo os cargos em comissão;
5. Que os sindicatos atuem para o cumprimento da convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que trata da discriminação nos locais de trabalho;
6. Que a Fenaj recomende aos sindicatos a solicitação de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) ao Ministério Público do Trabalho, com objetivo de responsabilizar empresas de comunicação quanto à discriminação etnicorracial em sua cobertura editorial, em especial nas editorias de polícia;
7. Que a Fenaj recomende aos sindicatos que garantam pelo menos uma vaga para delegado(a) representando a Cojira de cada estado nos congressos de jornalistas;
8. Propor parcerias com instituições internacionais, universidades, governos, entre outros, para novamente ofertar o curso de gênero, raça e etnia para jornalistas;
9. Atuar para a inclusão da temática etnicorracial no currículo acadêmico das faculdades de jornalismo;
10. Ampliar a produção científica das Cojiras e do Núcleo de Jornalistas Afrobrasileiros;
11. Reivindicar que a Secretaria de Comunicação (Secom), da Presidência da República, destine parte de suas verbas para o financiamento da mídia negra;
12. Que a Fenaj faça uma pesquisa crítica e nacional cerca da cobertura etnicorracial realizada pelos meios de comunicação no Brasil.

E a luta continua... por respeito e justiça social em todos os setores. Axé!


Participantes do 1º Enjira fortalecem a discussão sobre igualdade racial e mídia (Foto: Yvette Moura)


Congresso 1
Após 36 anos, o Estado de Alagoas realizou o 36º Congresso Nacional de Jornalistas com o tema central: “O Jornalismo, o Jornalista e a Democracia”. A temática étnicorracial e o combate do racismo nos meios de comunicação foram discussões sempre presentes, inclusive, teve a palestra “O Jornalismo e as políticas afirmativas para a consolidação do estatuto democrático” ministrada por Edson Cardoso – assessor especial da Ministra Luiza Bairros (Seppir) – que ressaltou a hierarquização do humano, a estigmatizarão e a prática da democracia meia-boca no Brasil. “A diversidade contribui para a excelência, mas, o racismo estrutura a nossa sociedade. Ao pensar em democracia, não podemos conviver com uma ideologia onde afirma que por causa da aparência, um é melhor que o outro. (...) A pluralidade de vozes deveria ser o sustentáculo da democracia”, ressaltou. 



Congresso 2
Também teve a leitura da Carta da Igualdade de Maceió, a aprovação de uma tese para que a Fenaj e todos os sindicatos ampliem a campanha de inclusão e atualização da autodeclaração étnicorracial nas fichas cadastrais de jornalistas; além de uma moção de repúdio à apresentadora Ana Maria Braga (Programa Mais Você/Rede Globo), que no dia 03 de abril, ao divulgar uma receita popularmente conhecida como “Nêga Maluca”, usou tom jocoso e irônico para afirmar que existiria uma nova nomenclatura: “mulher afrodescendente com distúrbio mental”. Piada sem graça!




Congresso 3
Outro ponto importante foi a apresentação do Afoxé Odo Iya durante o café com cultura, além do show do cantor Igbonan Rocha e o grupo samba de nego na festa de encerramento do congresso nacional de jornalistas. Também ocorreu a realização de um passeio étnicorracial na Serra da Barriga em União dos Palmares para jornalistas comprometidos com a igualdade racial. A atividade também conhecida por “Palmares in loco” reuniu profissionais de sete estados (CE, GO, MG, SP, RJ, RS e o Distrito Federal), é um projeto do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô que conta com as explanações de Helcias Pereira – coordenador nacional dos APNs e membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR).


Fonte: Coluna Axé - 292ª edição – Jornal Tribuna Independente (08 a 14/04/2014) 
Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mais respeito

As comemorações do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra foram bem diversificadas no Estado de Alagoas, aliás, as atividades não se concentraram apenas no dia 20 de novembro, foram distribuídas em todo o mês: nas universidades, escolas, espaços públicos, casas de axé e nas sedes dos grupos sócio-culturais espalhados em vários municípios (Maceió, União dos Palmares, Arapiraca e Viçosa).

O evento Saruê Palmares – saudação de origem bantu, que significa “Os nossos respeitos a Palmares” – promovido pela Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) / Prefeitura de Maceió entrou para a história. Há pelo menos 10 anos, não tinha uma programação afro com vários grupos na Praça dos Palmares localizada no Centro de Maceió. Foi um dia de muitos encontros e reencontros de ativistas, e ainda, teve exposição, oficinas, comercialização de produtos e apresentações (dança afro, banda afro, maracatu, afoxé, grupos percussivos, teatro, capoeira, reggae).

A Serra da Barriga foi tomada por um “formigueiro humano”, visitantes das localidades mais diversas que enfrentaram chuva, neblina e sol forte. Instituições de ensino levaram turmas inteiras de estudantes para sentir o axé desse Monumento Nacional que exala história e cultura. Os religiosos de matrizes africanas fizeram seu cortejo e homenagens aos ancestrais. Capoeiristas disputavam cada espaço do solo sagrado para mostrar a sua ginga e amor pelo Patrimônio Nacional Cultural. E no palco, os repetitivos discursos antecederam a posse dos membros do Comitê Gestor do Parque Memorial Quilombo dos Palmares e as apresentações artísticas.

Porém, não podemos destacar que o problema de infraestrutura ainda é degradante, a água continua faltando no platô e a reforma dos espaços contemplativos não foi concluída; a estrada de acesso estava péssima e com a grande quantidade de veículos e a lama, ficou perigoso transitar com veículos e centenas de pessoas das mais diversas idades subiram 5km a pé. Outro ponto que merece crítica, é que muitos grupos alagoanos ficaram de fora da programação devido a uma exigência de vários documentos e burocracia excessiva da Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura às vésperas do evento.

Bom, ficamos a perguntar, quando teremos uma celebração digna? A riqueza histórica e a diversidade afro-cultural em Alagoas precisa ser mais valorizada pelas autoridades e a sociedade, e, a consciência negra tem que ser todo dia! Axé!


Fonte: Coluna Axé - 275ª edição – Jornal Tribuna Independente (26/11 a 02/12/2013)
Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Cenas do cotidiano: Zona da Mata (AL)

No domingo (18.08), fui uma das convidadas pela Federação Alagoana de Capoeira (Falc) para participar do Passeio Étnico-Cultural na Serra da Barriga em União dos Palmares. 

Também estava prevista a ida para o Morro 2 irmãos no município de Viçosa, mas, devido ao excesso de chuvas na semana, o rio encheu e ficou impossível chegar até o Sumidouro de Zumbi dos Palmares. Não foi dessa vez que conheci, e, aguardo ansiosamente essa oportunidade.

Foi um dia autêntico do inverno alagoano com chuva, lama e neblina. Confira algumas imagens.   :)