terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Afoxé e literatura

Contemplado pelo Prêmio Eris Maximiano promovido pela Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac) de Maceió, será oficialmente lançado o livro Oju Omim Omorewá – O Afoxé Dança Para Iansã, pela Editora Viva. Trata-se do resultado das pesquisas realizadas por Daniela Beny durante o curso de Especialização em Antropologia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Por dois anos (2014/2015), a autora acompanhou os ensaios e apresentações do afoxé e observou as coreografias do grupo e a relação com o orixá do Candomblé Iansã; e conta com descrição a dança de Iansã dentro do contexto religioso e artístico. Também destaca a história do afoxé e aborda os quatro espetáculos, que a autora também trabalhou em alguns como iluminadora de palco: “Oju Omim”, “Agô: Iyabás pedem passagem”, “Chão batido: terra de negros e mestiços” e “Aquarela das cores”.

A publicação também é acompanhada de um CD de mídia com o arquivo do livro e as fotografias dos espetáculos com o recurso de audiodescrição em PDF, no intuito de acessibilizar o material para cegos ou pessoas com baixa visão.

O livro representa a possibilidade de conhecer melhor o Candomblé sob a perspectiva da dança e entendendo como a dança do ritual é ressignificada para o contexto artístico, sendo posta em cena com o devido respeito em relação ao campo do litúrgico. Creio que a principal contribuição está no fato de termos registrado por escrito um pouco da história de um dos primeiros afoxés de Maceió, contando sobre seus espetáculos. O principal desafio superado foi o fato de transformar a monografia em livro, e graças ao prêmio além da publicação foi possível viabilizar a distribuição de parte dos exemplares da bibliotecas públicas, terreiros e pontos de cultura”, destacou a autora.

O pré-lançamento ocorrerá no Terreiro de Umbanda Aldeia dos Orixás, no dia 17 de janeiro às 15h, defronte à Praça Guedes de Miranda, no bairro da Ponta Grossa, e terá um pocket show do Afoxé Oju Omim Omorewá; já o lançamento, no dia 18 às 19h na Quilombada Portal de Autores Alagoanos, no Shopping Pátio, pocket show do cantor Igbonan Rocha. No dia do lançamento, a publicação terá preço promocional de R$20, e depois por R$30 na Quilombada. Prestigie!

Fonte: Coluna Axé – 475ª edição – Jornal Tribuna Independente (16 a 22/01/18) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

#amonadar

Encontrei o meu esporte: Maratona Aquática.

É nadando que me sinto livre, forte, supero os medos e sinto-me realizada em cada etapa concluída.

Tanto faz a colocação, se estou em último ou em primeiro na categoria, o importante é superar o desafio e chegar. Aqui, eu me sinto viva!

Vamos lá... rumo aos 5km.

(Fotos tiradas por Thiago Parmalat)













quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Lavagem do Bomfim 2018

A 18ª edição da Lavagem do Bomfim em Maceió ocorrerá nesse domingo, 14 de janeiro, com a concentração às 15hs, na Rua São João, no bairro do Jacintinho, em Maceió. 

A partir das 16h, os religiosos e simpatizantes das religiões de matriz africana, vestidos de branco e carregando água de cheiro e flores, sairão em cortejo até a Igreja Senhor do Bomfim, no Poço, onde acontecerão queima de fogos, revoada de pombos, pronunciamentos e a lavagem do pátio da igreja. Em seguida, os participantes realizarão a Caminhada de Combate à Intolerância Religiosa, percorrendo várias ruas dos bairros do Poço, Pajuçara e Ponta da Terra, encerrando na Casa de Iemanjá. 

A cerimônia religiosa saúda Oxalá, o deus Yorubá sincretizado como Senhor do Bomfim, acompanhados de batuques e utiliza o elemento água como símbolo de purificação para a conquista de novas realizações. Também busca promover a integração das casas de axé do Estado, grupos praticantes, grupos afroculturais e pesquisadores que defendam o direito à liberdade de culto e de manifestação da fé, além do combate ao preconceito. 

A cada ano, a atividade recebe a admiração da sociedade alagoana e amplia o número de pessoas que vão prestigiar e apoiar, além de agregar mais parcerias. Esse é o momento de busca pela paz, amor e respeito.



Fonte: Coluna Axé – 474ª edição – Jornal Tribuna Independente (09 a 15/01/18) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com



quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Políticas Culturais Afro-brasileiras

O Ministério da Cultura (MinC) oficializou a criação do Grupo de Trabalho (GT) de Políticas Culturais Afro-Brasileiras, por meio da Portaria nº 118, publicada na quarta-feira (27), no Diário Oficial da União. 

O objetivo é desenvolver propostas de políticas para a defesa e a promoção da cultura afro-brasileira, além de gerar subsídios e estimular articulações interministeriais que envolvam os povos de matriz africana. O GT será formado por representantes (titulares e suplentes) e a participação será considerada prestação de serviço público relevante e não será remunerada. 

O MinC será representado pelo Gabinete do Ministro; Secretaria Executiva; e as secretarias de Cidadania e da Diversidade Cultural, Articulação e Desenvolvimento Institucional, Audiovisual, Fomento e Incentivo à Cultura, Economia da Cultura. Também contribuirão nas discussões, membros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Fundação Cultural Palmares (FCP). 

Na presidência estará um representante do Gabinete do Ministro da Cultura e, em seu afastamento, pelo representante da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC) do MinC. A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do Ministério dos Direitos Humanos terá o papel de articuladora do Grupo. Também poderão ser convidados membros da sociedade civil, do Conselho Nacional de Política Cultural e/ou de outros órgãos, com notório conhecimento, para contribuir com o desenvolvimento dos trabalhos, visando à promoção da participação social nos debates. 

Dentre as atribuições estão: elaborar propostas de políticas para a defesa e a promoção da cultura afro-brasileira; articular, junto aos órgãos federais, as ações e os programas que possuam convergência com outras Pastas; e ainda, deve estabelecer mecanismo para permitir a participação e o protagonismo dos povos de matriz africana no processo de elaboração e implementação das políticas. 

O prazo para a conclusão dos trabalhos é de 180 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo período. Esperamos, que os resultados sejam positivos para ampliar as políticas afirmativas e fortalecer a cultura afro-brasileira em todo território nacional.


Fonte: Coluna Axé – 473ª edição – Jornal Tribuna Independente (03 a 08/01/18) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Direitos Humanos

 A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) completou 69 anos de implantação no último dia 10 de dezembro. Trata-se do documento marco que determina os direitos humanos básicos, adotado e proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III) no ano de 1948, sendo esboçado principalmente pelo canadense John Peters Humphrey, com a ajuda de representantes de diferentes origens jurídicas e culturais de todas as regiões do mundo.

Embora não tenha uma obrigatoriedade legal, foi traduzido em mais de 500 idiomas e inspirou as constituições de muitos Estados e democracias recentes. Visa definir “como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição”.

De acordo com o chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, a universalidade de direitos está sendo contestada em boa parte do mundo e tem enfrentado intenso ataque por parte de terroristas, líderes autoritários e populistas que parecem querer sacrificar os direitos dos outros em benefício do poder. “A Declaração Universal foi elaborada por um mundo ferido pela guerra, o remédio prescrito pelos Estados para inocular suas populações contra seus piores instintos e omissões. “Essa consciência parece estar se evaporando em ritmo alarmante, e o enorme progresso alcançado através da promulgação progressiva dos princípios de direitos humanos, (…) está sendo cada vez mais esquecido ou deliberadamente ignorado”, disse Zeid.

No Estado de Alagoas, a data foi lembrada com a realização de uma audiência pública na Câmara Municipal de Maceió nesta segunda-feira com a participação do Juiz Marcelo Tadeu Lemos e do Dr. Ricardo Soares Moraes, que respectivamente, discutiram os temas “Direitos Humanos, uma questão além da ideologia” e “Direitos Humanos e segurança pública: uma parceria indissociável”. Já na quinta-feira(14) às 14h, no antigo auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Praça Monte Pio, no Centro em Maceió – terá o Encontro Estadual de Direitos Humanos. A atividade é uma realização da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos e a Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL.

A Declaração foi elaborada para proteger não apenas os direitos civis e políticos, mas também sociais, econômicos e culturais; e o desafio é difundir que não há desenvolvimento sem direitos humanos. A luta por um futuro melhor, com respeito à dignidade humana sempre continua!



Fonte: Coluna Axé – 471ª edição – Jornal Tribuna Independente (12 a 18/12/17) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Mulheres negras e igualdade

As organizações da sociedade civil de mulheres negras brasileiras realizarão rodas de diálogos “Mulheres Negras Para um Planeta 50-50: O que queremos em 2030?”, de 5 a 16 de dezembro, em cinco capitais brasileiras (Salvador/BA; Maceió/AL, Recife/PE, Porto Alegre/RS e Rio de Janeiro/RJ).

Em Maceió, a atividade será realizada nessa quarta-feira, 06 de dezembro, das 14hs às 17hs, no auditório da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal), situada na Rua Dr. José Porciúncula, 121, bairro Farol, e contará com representações de entidades da sociedade civil que defendem os direitos das mulheres negras. A organização local é da Rede Alagoana de Mulheres Negras e acontecerá em parceria com a ONU Mulheres, em cumprimento da Agenda de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, como uma condição para o alcance de um Planeta 50-50 em 2030.

As atividades serão realizadas no âmbito dos 16 dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres e Dia Internacional dos Direitos Humanos; e o objetivo é garantir que as organizações do movimento de mulheres negras possam discutir entre si estratégias e identificar ações, a serem realizadas numa parceria com o Sistema ONU no Brasil, para o cumprimento das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

De acordo com o “Mapa da Violência 2015: Homicídios de Mulheres no Brasil”, realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FlACSO), o assassinato de mulheres negras aumentou 54% nos últimos dez anos, de 1.864 (2003) para 2.875 (2013). Neste mesmo período o número de homicídios que vitimou mulheres brancas reduziu 10%, de 1.747 para 1.576. O Brasil ocupa a incômoda 5ª posição em ranking global de homicídios de mulheres, entre 83 países elencados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2013, a taxa de mortes por assassinato de mulheres no Brasil, para cada 100 mil habitantes foi de 4,8 casos; uma média mundial de dois casos; e foram 4.762 mulheres mortas violentamente no país naquele ano: 13 vítimas fatais por dia.

Nos cinco estados que serão realizados, estão sendo organizados pelo Odara em parceria com a Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), a Rede de Mulheres Negras do Nordeste, e organizações locais, com apoio institucional da ONU Mulheres Brasil e deverá produzir um documento que vai revelar novas metas para a Localização dos ODS no Manifesto da Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver 2014, elaborado pela ONU Mulheres Brasil, compreendendo necessidades das mulheres negras que ainda não foram identificadas nos ODS.

Além de servir para que as ativistas possam realizar uma análise da conjuntura política e social do Brasil em 2018, constituindo também um espaço para que discutam nos seus estados quais resultados esperam para o empoderamento econômico, social e político e garantia do bem viver das mulheres negras brasileiras até 2030.



Fonte: Coluna Axé – 470ª edição – Jornal Tribuna Independente (05 a 11/12/17) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com