quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Carnaval dos protestos

Pelo menos três escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro levaram para o Sambódromo um Carnaval de críticas e protestos, externando a insatisfação do povo com os políticos e a corrupção.

A Beija-Flor, campeã do Carnaval, fez um paralelo entre o romance "Frankenstein” e as mazelas sociais brasileiras. Corrupção, desigualdade, violência e intolerâncias de gênero, racial, religiosa e até esportiva formaram o cenário de "Brasil monstruoso". Um carro encenou a violência cotidiana do Rio de Janeiro, mostrando crianças morrendo na escola, mães enterrando seus filhos policiais e ocorrências de assaltos.

A Paraíso do Tuiuti, que ficou com o segundo lugar, com belas alegorias e um samba enredo primoroso fez abordagem crítica sobre a situação da população negra e pobre neste País. Não faltaram Michel Temer, o vampiro neoliberalista, paneleiros com camisetas do Brasil e patos da Fiesp sendo controlados pela mídia, além de críticas às reformas trabalhista e da Previdência.

A escola passou pela Sapucaí deixando a pergunta "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?" A Tuiuti recontou a história da escravidão no Brasil, nos 130 anos da Lei Áurea, e fez uma crítica ao racismo e às dificuldades dos trabalhadores brasileiros hoje. Em seu segundo ano seguido no Grupo Especial e após um acidente grave no ano passado, a escola dedicou parte do desfile para uma crítica social mais atualizada. As três últimas alas retrataram perrengues dos brasileiros em busca de bons empregos. No último carro, a Tuiuti apresentou um "novo navio negreiro" buscando fazer uma comparação entre os "novos trabalhadores explorados pela classe dominante" e os escravos do passado.

A Estação Primeira de Mangueira, que ficou em 5º lugar, também não ficou atrás em termos de protesto. Aproveitou o enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco” para ironizar a decisão de Prefeitura do Rio de cortar os recursos destinados às escolas de samba. Sem metáforas, o prefeito do Rio foi citado nominalmente e representado como um boneco de Judas para ser malhado.

Foi mesmo emocionante! Mas o Carnaval passou. É preciso que essa ousadia cidadã ganhe força na consciência dos brasileiros e ecoe nas ruas, antes que outros direitos sucumbam.



Fonte: Coluna Axé / 479ª edição / Jornal Tribuna Independente (20 a 26/02/18) / Editora: Helciane Angélica/ Contato: cojira.al@gmail.com

(Responsáveis, interinamente, as jornalistas Valdice Gomes e Luíla de Paula)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Carnaval sem racismo

O Ministério dos Direitos Humanos através da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR lançou a Campanha "Neste Carnaval Diga não ao Racismo". 

O objetivo principal é a valorização da cultura negra, sensibilizando o público em geral quanto à importância do respeito à identidade negra com enfoque no racismo sofrido por mulheres e homens negros no carnaval.

Passageiros, foliões e turistas dos principais aeroportos e rodoviárias do país receberão material informativo de enfrentamento ao uso negativo e caricato da imagem do negro como blackface e “nega maluca”, onde as pessoas pintam o rosto com tinta preta e usam peruca black power imitando pejorativamente a textura natural do cabelo crespo como forma de “homenagem”.

Lançada em nível nacional, serão espalhados 50 mil folders em formato de leques entre as esteiras de bagagem e balcões de informações dos aeroportos de Recife (PE), Congonhas (SP), Curitiba (PR), Rondônia (RO), Confins e Belo Horizonte (MG). Trata-se de uma parceria com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO), e os aeroportos exibirão em seu sistema de telas informativas a identidade visual da Campanha.

O Secretário Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Juvenal Araújo alerta que nenhuma forma de preconceito ou de discriminação deve servir como justificativa de “piada”, “adereços” ou “acessórios” e destaca o caráter de violação de direitos dessa prática racista, já que racismo é crime previsto na Lei 7.716.  “O propósito da Campanha é ser usada como plataforma para combater esta modalidade de racismo enraizado na sociedade. Qualquer tipo de ação utilizada para ridicularizar o negro não deve ser praticada no Carnaval. O Blackface e a ‘nega maluca’ não são ferramentas de folia, mas sim de opressão e escárnio. Vamos juntos compartilhar nas redes sociais durante o carnaval a hashtag da campanha #CarnavalSemRacismo”, exaltou.

As cidades do Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia, Manaus, Belém, Palmas, Acre também serão contempladas pelas ações da Campanha. Para realizar denúncias: Disque 100 ou baixe aplicativo Proteja Brasil A iniciativa é extremamente louvável e deveria ocorrer durante todo o ano; além de contemplar todo o território nacional. Sonhamos com o dia que não precisaremos lançar campanhas para exigir respeito!



Fonte: Coluna Axé - 478ª edição – Jornal Tribuna Independente (06 a 19/02/18) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com
(Com informações da Ascom)       


terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Tambores e prévia carnavalesca


As prévias carnavalescas da capital alagoana 2018, conhecida por Jaraguá Folia, serão no dia 02 de fevereiro – cuja data remete-se ao episódio histórico e violento ocorrido em 1912 denominado “Quebra de Xangô” e que nos últimos anos tornou-se um momento para alertar a sociedade sobre o combate da intolerância religiosa e o respeito à diversidade de cultos.

Desde 2010, o Coletivo Afrocaeté e seus parceiros se uniram com o intuito de homenagear Tia Marcelina, símbolo de resistência na luta contra todo e qualquer ato de intolerância religiosa.

Lideranças do movimento social negro, religiosos de matrizes africanas e integrantes de vários grupos afroculturais sairão no cortejo cuja concentração será às 19h dessa sexta-feira, na sede do Coletivo Afrocaeté – Rua Barão de Jaraguá, 381, Jaraguá – onde caminharão pelas ruas do bairro histórico, com as cores de Xangô, ao som dos tambores em sinal de respeito aos ancestrais, para fortalecer a luta e a fé do povo alagoano.

Nessa mesma noite, a partir das 20h terá o Polo dos Maracatus na Praça Marcílio Dias, com a participação dos grupos Maracatu Baque Alagoano e Coletivo Maracatod@s que farão a animação do público antes da saída dos cortejos.


Fonte: Coluna Axé – 477ª edição – Jornal Tribuna Independente (30/01 a 05/02/18) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

ONU e suas missões

Durante reunião entre os Estados-membros da Assembleia Geral da ONU, o secretário-geral da Organização, António Guterres, apresentou no dia 16 de janeiro as doze áreas que merecerão atenção do organismo ao longo de 2018.

O primeiro item da lista é a promoção de uma globalização igualitária, que garanta a repartição justa dos benefícios trazidos pela expansão das trocas comerciais, financeiras e culturais no mundo contemporâneo. Entre as prioridades, estão a resolução de crises no Oriente Médio e na Europa; fortalecer as missões de paz e na luta contra o terrorismo; combater as mudanças climáticas; a promoção da migração segura e ordenada; e o fim das disparidades de gênero.

“O respeito pelos migrantes e o respeito pela diversidade, étnica e religiosa, é um pilar fundamental das Nações Unidas e será um pilar fundamental” afirmou o chefe da ONU, que é o símbolo dos ideais das Nações Unidas e porta-voz dos interesses dos povos do mundo, principalmente dos mais pobres e vulneráveis. O português é o nono secretário-geral das Nações Unidas e assumiu as funções em 1º de janeiro de 2017.

Para aprofundar os trabalhos, o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Afrodescendentes está solicitando que todas as partes interessadas enviem submissões relativas à elaboração da Declaração sobre a Promoção e Pleno Respeito dos Direitos Humanos de Afrodescendentes. Essas contribuições podem ser enviadas até o dia 15 de fevereiro e devem abordar direitos e garantidas específicas que a Declaração deverá promover, bem como direitos já previstos por outros mecanismos legais internacionais, regionais ou nacionais existentes. A elaboração da Declaração foi estipulada pela resolução (A/HRC/35/30) do Conselho de Direitos Humanos da ONU, adotada em junho de 2017. 

Já o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos está solicitando contribuições de povos e pessoas indígenas ao estudo que está sendo realizado pelo Mecanismo de Especialistas da ONU sobre Direitos dos Povos Indígenas, com foco no tema “Consentimento livre, prévio e esclarecido”; e as contribuições podem ser enviadas em inglês, francês ou espanhol até o dia 28 de fevereiro.

Mais informações: https://nacoesunidas.org/


Fonte: Coluna Axé – 476ª edição – Jornal Tribuna Independente (23 a 29/01/18) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Afoxé e literatura

Contemplado pelo Prêmio Eris Maximiano promovido pela Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac) de Maceió, será oficialmente lançado o livro Oju Omim Omorewá – O Afoxé Dança Para Iansã, pela Editora Viva. Trata-se do resultado das pesquisas realizadas por Daniela Beny durante o curso de Especialização em Antropologia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Por dois anos (2014/2015), a autora acompanhou os ensaios e apresentações do afoxé e observou as coreografias do grupo e a relação com o orixá do Candomblé Iansã; e conta com descrição a dança de Iansã dentro do contexto religioso e artístico. Também destaca a história do afoxé e aborda os quatro espetáculos, que a autora também trabalhou em alguns como iluminadora de palco: “Oju Omim”, “Agô: Iyabás pedem passagem”, “Chão batido: terra de negros e mestiços” e “Aquarela das cores”.

A publicação também é acompanhada de um CD de mídia com o arquivo do livro e as fotografias dos espetáculos com o recurso de audiodescrição em PDF, no intuito de acessibilizar o material para cegos ou pessoas com baixa visão.

O livro representa a possibilidade de conhecer melhor o Candomblé sob a perspectiva da dança e entendendo como a dança do ritual é ressignificada para o contexto artístico, sendo posta em cena com o devido respeito em relação ao campo do litúrgico. Creio que a principal contribuição está no fato de termos registrado por escrito um pouco da história de um dos primeiros afoxés de Maceió, contando sobre seus espetáculos. O principal desafio superado foi o fato de transformar a monografia em livro, e graças ao prêmio além da publicação foi possível viabilizar a distribuição de parte dos exemplares da bibliotecas públicas, terreiros e pontos de cultura”, destacou a autora.

O pré-lançamento ocorrerá no Terreiro de Umbanda Aldeia dos Orixás, no dia 17 de janeiro às 15h, defronte à Praça Guedes de Miranda, no bairro da Ponta Grossa, e terá um pocket show do Afoxé Oju Omim Omorewá; já o lançamento, no dia 18 às 19h na Quilombada Portal de Autores Alagoanos, no Shopping Pátio, pocket show do cantor Igbonan Rocha. No dia do lançamento, a publicação terá preço promocional de R$20, e depois por R$30 na Quilombada. Prestigie!

Fonte: Coluna Axé – 475ª edição – Jornal Tribuna Independente (16 a 22/01/18) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

#amonadar

Encontrei o meu esporte: Maratona Aquática.

É nadando que me sinto livre, forte, supero os medos e sinto-me realizada em cada etapa concluída.

Tanto faz a colocação, se estou em último ou em primeiro na categoria, o importante é superar o desafio e chegar. Aqui, eu me sinto viva!

Vamos lá... rumo aos 5km.

(Fotos tiradas por Thiago Parmalat)













quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Lavagem do Bomfim 2018

A 18ª edição da Lavagem do Bomfim em Maceió ocorrerá nesse domingo, 14 de janeiro, com a concentração às 15hs, na Rua São João, no bairro do Jacintinho, em Maceió. 

A partir das 16h, os religiosos e simpatizantes das religiões de matriz africana, vestidos de branco e carregando água de cheiro e flores, sairão em cortejo até a Igreja Senhor do Bomfim, no Poço, onde acontecerão queima de fogos, revoada de pombos, pronunciamentos e a lavagem do pátio da igreja. Em seguida, os participantes realizarão a Caminhada de Combate à Intolerância Religiosa, percorrendo várias ruas dos bairros do Poço, Pajuçara e Ponta da Terra, encerrando na Casa de Iemanjá. 

A cerimônia religiosa saúda Oxalá, o deus Yorubá sincretizado como Senhor do Bomfim, acompanhados de batuques e utiliza o elemento água como símbolo de purificação para a conquista de novas realizações. Também busca promover a integração das casas de axé do Estado, grupos praticantes, grupos afroculturais e pesquisadores que defendam o direito à liberdade de culto e de manifestação da fé, além do combate ao preconceito. 

A cada ano, a atividade recebe a admiração da sociedade alagoana e amplia o número de pessoas que vão prestigiar e apoiar, além de agregar mais parcerias. Esse é o momento de busca pela paz, amor e respeito.



Fonte: Coluna Axé – 474ª edição – Jornal Tribuna Independente (09 a 15/01/18) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com