terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mais respeito

As comemorações do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra foram bem diversificadas no Estado de Alagoas, aliás, as atividades não se concentraram apenas no dia 20 de novembro, foram distribuídas em todo o mês: nas universidades, escolas, espaços públicos, casas de axé e nas sedes dos grupos sócio-culturais espalhados em vários municípios (Maceió, União dos Palmares, Arapiraca e Viçosa).

O evento Saruê Palmares – saudação de origem bantu, que significa “Os nossos respeitos a Palmares” – promovido pela Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) / Prefeitura de Maceió entrou para a história. Há pelo menos 10 anos, não tinha uma programação afro com vários grupos na Praça dos Palmares localizada no Centro de Maceió. Foi um dia de muitos encontros e reencontros de ativistas, e ainda, teve exposição, oficinas, comercialização de produtos e apresentações (dança afro, banda afro, maracatu, afoxé, grupos percussivos, teatro, capoeira, reggae).

A Serra da Barriga foi tomada por um “formigueiro humano”, visitantes das localidades mais diversas que enfrentaram chuva, neblina e sol forte. Instituições de ensino levaram turmas inteiras de estudantes para sentir o axé desse Monumento Nacional que exala história e cultura. Os religiosos de matrizes africanas fizeram seu cortejo e homenagens aos ancestrais. Capoeiristas disputavam cada espaço do solo sagrado para mostrar a sua ginga e amor pelo Patrimônio Nacional Cultural. E no palco, os repetitivos discursos antecederam a posse dos membros do Comitê Gestor do Parque Memorial Quilombo dos Palmares e as apresentações artísticas.

Porém, não podemos destacar que o problema de infraestrutura ainda é degradante, a água continua faltando no platô e a reforma dos espaços contemplativos não foi concluída; a estrada de acesso estava péssima e com a grande quantidade de veículos e a lama, ficou perigoso transitar com veículos e centenas de pessoas das mais diversas idades subiram 5km a pé. Outro ponto que merece crítica, é que muitos grupos alagoanos ficaram de fora da programação devido a uma exigência de vários documentos e burocracia excessiva da Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura às vésperas do evento.

Bom, ficamos a perguntar, quando teremos uma celebração digna? A riqueza histórica e a diversidade afro-cultural em Alagoas precisa ser mais valorizada pelas autoridades e a sociedade, e, a consciência negra tem que ser todo dia! Axé!


Fonte: Coluna Axé - 275ª edição – Jornal Tribuna Independente (26/11 a 02/12/2013)
Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

sábado, 23 de novembro de 2013

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Orgulho negro

Novembro é o mês da consciência negra, o período onde as questões étnicorracias ganham mais repercussão na mídia, exalta-se a história e expressões afroculturais. Também é o período propício para ampliar os debates sobre os dramas da população afrodescendente e o combate do racismo, e ainda, busca a reflexão quanto aos avanços das ações afirmativas e a importância do Movimento Social Negro.

O dia 20 de novembro é celebrado como uma data da resistência negra e homenageia Zumbi dos Palmares, grande líder no Quilombo dos Palmares e na luta pelo fim da escravidão no Brasil, morto em 20 de novembro de 1695. Com a Lei 12.519/2011 a data deixou de ser apenas o Dia da Consciência Negra e passou a ser denominado por Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

Essa é uma grande conquista, mas ainda não é feriado em todo o país; a adesão ao feriado, ou instituição de ponto facultativo, é uma decisão de cada estado ou município. Atualmente, mais de 1000 municípios já decretaram o feriado e em Alagoas é reafirmada através da Lei Estadual Nº 5.724, de 01.08.1995.

Bom, o pertencimento étnico e a consciência crítica tem que ser todos os dias, e, deve ser exercida por todos independente da cor da pele. A luta por igualdade racial é uma busca constante por respeito, dignidade e justiça social. Axé!


Fonte: Coluna Axé - 274ª edição – Jornal Tribuna Independente (19 a 25/11/2013)
Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

sábado, 16 de novembro de 2013

Trilha sonora - fim de semana (16 e 17.11.13)

Na semana da consciência negra, uma música para refletir a importância do amor e respeito ao próximo! Chega de racismo e violência no mundo!!!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Prêmio Jornalista Abdias Nascimento - Eu fui!

Nos dias 10 a 12 de novembro, estive em mais uma viagem na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, desta vez, para conferir um projeto ousado e importante: 3ª edição do Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento. A cerimônia aconteceu na noite de 11 de novembro, no Teatro Oi Casa Grande.

Fui convidada pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Município do Rio de Janeiro, e representei a Cojira-AL/Sindjornal, além de fazer a homenagem às jornalistas gaúchas Vera Dayse e Jeanice Ramos - ambas do Núcleo de Jornalistas Afro Brasileiras do Rio Grande do Sul e percursoras do Movimento de Jornalistas pela Igualdade Racial.

Um momento de integração e troca de experiências. E ainda me inspira a continuar na luta pela igualdade racial e exercendo o trabalho comprometido com a pluralidade sócio-cultural. Inesquecível!

Confira algumas imagens:






































terça-feira, 12 de novembro de 2013

Avanços nas questões étnicorraciais

A III Conferência de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), realizada na semana passada, em Brasília, deixou um saldo positivo para a população afrodescendente brasileira que historicamente luta para ter seus direitos civis reconhecidos e respeitados, demonstrando avanços nas ações de enfrentamento ao racismo no Brasil.

Já na cerimônia de abertura, dia 5, a presidenta Dilma Rousseff assinou o projeto de lei que reserva 20% das vagas nos concursos públicos federais para as/os afrodescendentes, em regime de urgência constitucional, ou seja, com prazo de 45 dias para ser votado na Câmara e mais 45 dias no Senado.

Além disso, Dilma assinou decreto estabelecendo o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), que define responsabilidades na execução das políticas de promoção da igualdade racial no âmbito dos governos federal, estadual e municipal, e ainda anunciou que as comunidades quilombolas e os distritos indígenas serão os territórios prioritários para a próxima etapa do Programa Mais Médicos, que possibilitará a vinda de 3 mil médicos, até março do próximo ano.

Para além dessas medidas, Dilma surpreendeu de forma positiva os cerca de 1.400 delegados e delegadas presentes à III Conapir, com um discurso impactante reconhecendo a existência do racismo hierarquizado causador das desigualdades na sociedade brasileira e que afeta sobremaneira os afrodescendentes, e afirmando que sem ações afirmativas o Brasil não reduzirá as desigualdades.

Também merece destaque, no âmbito da sociedade civil, a organização das mulheres negras, que durante a III Conapir lançaram a Marcha Nacional das Mulheres Negras contra o Racismo, Violência e pelo Bem Viver. O ato acontecerá em 2015, em Brasília, e está sendo pensado como um processo plural de formação, mobilização e articulação das mulheres negras, incluindo aquelas que não estão organizadas nos estados e municípios, visando dar visibilidade as suas reivindicações e lutas.


Fonte: Coluna Axé - 273ª edição – Jornal Tribuna Independente (12 a 18/11/2013)
Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

terça-feira, 5 de novembro de 2013

3ª Conapir

No período de 5 a 7 de novembro, no Centro de Convenções e Eventos Brasil 21 localizado em Brasília, acontecerá a III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial(Conapir) com o tema “Democracia e Desenvolvimento sem racismo: por um Brasil afirmativo”. 

Cerca de 1400 pessoas estarão presentes, são eles: convidados; integrantes do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR); e delegados/delegadas oriundos de várias partes do país, que representarão entidades e órgãos públicos. 

A delegação alagoana será composta por 28 integrantes: representantes do poder público e lideranças da sociedade civil (cigana, quilombola, religiosos de matriz africana, movimento negro, capoeira/cultura) – serão defendidas 40 propostas aprovadas nas etapas regionais. 

Na programação consta: painéis temáticos simultâneos; grupos de trabalho; exposição sobre uma década de políticas de promoção da igualdade racial; o lançamento do Guia de Implementação do Estatuto da Igualdade Racial para Estados, Distrito Federal e municípios – a publicação foi uma parceria da Seppir com o Fundo das Nações Unidas para a Infância(Unicef); além de apresentações culturais e plenárias. 

E para quem não teve a oportunidade de garantir uma vaga no evento, poderá acompanhar a abertura e o encerramento com transmissão ao vivo pela TV NBR e no site www.iiiconapir.seppir.gov.br. Também serão disponibilizadas as entrevistas de participantes, fotos, notícias e vídeos das atividades, e ainda, atualizações nas redes sociais. Desejamos que os debates proporcionem benefícios concretos à população e as propostas saiam do papel. Axé!


Fonte: Coluna Axé - 272ª edição - Jornal Tribuna Independente (05 a 11/11/2013)
Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com