terça-feira, 29 de novembro de 2016

Cojira/AL - nove anos

Na última quinta-feira, 24 de novembro, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (COJIRA-AL), vinculada ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas, completou nove anos de atuação e a exaltação das questões étnicorraciais em diversos setores; produção de notícias, encartes afros especiais, blog temático e a indicação de fontes para veículos de comunicação. 

Ao longo desses anos, a Coluna Axé – espaço gentilmente cedido pelo Jornal Tribuna Independente – vem cumprindo um papel importante em defesa dos direitos da população negra da terra de Zumbi dos Palmares, como um projeto de comunicação que busca contribuir para dar visibilidade às ações de promoção da igualdade racial em Alagoas e no Brasil, seja de iniciativa das entidades do movimento social negro ou de órgãos governamentais. 

A experiência tem mostrado a importância da democratização dos meios de comunicação, com foco nas mídias negras, para as políticas de combate ao racismo e promoção da igualdade racial. Neste sentido, é preciso que os governos federal, estaduais e municipais, bem como a iniciativa privada, invistam em projetos de comunicação voltados para a temática racial. 

É necessário que os veículos de comunicação em Alagoas abram espaço para a divulgação e discussão das questões raciais durante todo o ano, e não apenas nas datas simbólicas como 13 de maio e 20 de novembro, afinal, a luta por justiça e igualdade deve ser de toda a sociedade e não apenas dos segmentos populacionais atingidos pelo racismo e a desigualdade. Vale destacar, que nas resoluções das três conferências nacionais de promoção da igualdade racial (CONAPIR) realizadas pelo governo federal estão contidas propostas na área de comunicação. 

Além disso, o Estatuto da Igualdade Racial, marco legal sancionado em 2010, também trata do tema, o que respalda ações e investimentos na área. Iniciativa louvável, nesse sentido, aconteceu em junho deste ano, em São Paulo (capital), onde a Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (SMPIR) abriu inscrições para o edital do “Prêmio Almerinda Farias Gama”, que teve como objetivo contemplar dez iniciativas ou atividades de comunicação que se destaquem na defesa dos direitos da população negra. Aliás, pra quem não conhece, Almerinda Farias Gama foi advogada, jornalista, política, feminista e sindicalista nascida em Maceió, em maio de 1899, que aos oito anos mudou-se para o Pará, considerada uma das primeiras mulheres afro-brasileiras a participar da política no Brasil. Uma bela e justa homenagem!


Fonte: Coluna Axé - 419ª edição – Jornal Tribuna Independente (29/11 a 05/12/16) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

domingo, 27 de novembro de 2016

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Protestos no 20 de novembro



A solenidade oficial de celebração do 20 de novembro – Dia Nacional  da Consciência Negra, ocorrida no último domingo, na Serra da Barriga foi marcada por protestos contra o governo federal.

Integrantes do Levante Popular da Juventude e de outros movimentos sociais portando faixas e com palavras de ordem de “Fora Temer” e “Golpistas e racistas não passarão”, protestaram contra a PEC 55, que bloqueia gastos e investimentos públicos e a reforma do ensino médio, ambas de autoria da atual gestão do governo federal. Os capoeiristas também marcaram presença na Serra com faixas denunciando o racismo institucional, o extermínio da juventude negra, a violência contra a mulher negra e o descumprimento do Estatuto da Igualdade Racial.

Mas o Dia da Consciência Negra não foi de protestos só em Alagoas. É importante registrar que também em outros pontos do Brasil, como em São Paulo, Salvador, Curitiba (PR) e Juiz de Fora (MG) entre outras localidades, o movimentos negro foi às ruas reivindicar a reforma da mídia para a democratização da comunicação; desmilitarização da polícia, o fim dos autos de resistência, e destinação de mais recursos para as políticas de inclusão social; implementação das leis antirracismo; direito de expressão das religiões de matriz africana. Além disso, os manifestantes protestaram contra o genocídio da juventude negra, contra o machismo e a violência contra a mulher negra. Lamentável que algumas autoridades tenham se exaltado nas críticas aos manifestantes atribuindo interesses políticos.

Os protestos legítimos ocorridos tanto na Serra da Barriga como em outros locais pelo Brasil afora, no dia dedicado a Zumbi dos Palmares, devem ser entendidos pelas autoridades incomodadas como sinal do grau de insatisfação que a cada dia cresce na sociedade brasileira, especialmente na classe trabalhadora e na população negra, que é maioria no Brasil e principal prejudicada com a reforma no ensino médio e com as medidas previstas na PEC 55. O objetivo é combater qualquer retrocesso às conquistas democráticas e ameaças aos direitos conquistados pela população negra nos últimos anos.



Parceria
Durante a cerimônia do 20 de novembro na Serra da Barriga, foi assinado um termo de cooperação entre a Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura e a Universidade Estadual de Alagoas, respectivamente representados pelo presidente da FCP, Erivaldo Oliveira da Silva e o Vice Reitor Clébio Araújo (foto). Em 2017, a Uneal será a responsável pelo desenvolvimento sustentável do turismo e da cultura no Parque Memorial Quilombo dos Palmares e em seu entorno. Tem como incumbência dinamizar e contribuir para o desenvolvimento cultural e formação, envolvendo inicialmente as redes escolares estaduais e municipais com visitas sistemáticas à serra; além de exposições, oficinas, cursos, apresentações de grupos afros e feira cultural dos quilombolas. Eis uma grande notícia!


Fonte: Coluna Axé – 418ª edição – Jornal Tribuna Independente (22 a 28/11/16) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Novembro Afro

Chegou o mês da consciência negra e com ele vem a efervescência cultural dos diversos segmentos afros em todo território nacional.

A data 20 de Novembro foi escolhida simbolicamente para marcar o dia da morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores líderes do Quilombo dos Palmares: o símbolo de resistência e luta contra a escravidão no Brasil. Durante todo o mês, serão realizadas palestras, debates em escolas, seminários, oficinas temáticas, apresentações artísticas, lançamentos de livros, passeios étnicos em comunidades quilombolas, museus afros e na Serra da Barriga (União dos Palmares/AL) – Patrimônio Nacional, que foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1986.

No Estado de Alagoas, as atividades ocorrerão na capital Maceió e na cidade União dos Palmares em vários pontos simultaneamente. A Fundação Cultural Palmares e o Ministério da Cultura em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado de Alagoas (Secult) estão promovendo uma ampla programação sócio-cultural em parceria com órgãos públicos, instituições privadas e grupos do Movimento Negro.

Em Maceió, encontram-se as exposições “Lélia Gonzalez: o feminismo negro no palco da história” das 8h30 às 17h no Teatro Linha Mascarenhas e “Raízes, História da Enfermagem Brasileira, Pretas, Campanha Filhos do Brasil” no Parque Shopping Maceió. Ontem, na Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos foram apresentados cinco romances afro-brasileiros contemplados no Prêmio Oliveira Silveira; e a Secult em parceria com a Seduc oficializou o programa “Cultura Ambundu Alagoas”. O Seminário Construção de Indicadores para Salvaguarda da Capoeira de Alagoas ocorrerá hoje(17) a partir das 10h, na Superintendência do Iphan (Rua Sá Albuquerque, 117, Jaraguá, Maceió).

De 17 a 20 de novembro, às 19h, o estacionamento do Parque Shopping será o palco de apresentações culturais e do Festival Quilombola – Conheça os sabores dos quilombos. Também terá o Cine Palmares no Quilombo – Sessão Infantil – no dia 18, na comunidade remanescente de quilombo Muquém localizada em União dos Palmares. Nos dias 23 a 25 de novembro, serão realizadas oficinas de culinária afro-ameríndia, em parceria com o Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau), e contação de histórias com o tema “Encantando a primeira infância, despertando para os direitos humanos”.

A celebração do Dia de Zumbi e do Dia Nacional da Consciência Negra (20) será das 7 às 17h, no Parque Memorial Quilombo dos Palmares localizado no platô da Serra da Barriga; e o ato institucional iniciará às 10h. Na Praça Brasiliano Sarmento, no centro da cidade de União dos Palmares, terá apresentação cultural das 18 às 22h20, com: “Viva o Reggae e Rock” e “Viva o Samba e MPB”; e o espetáculo “Projeção Mapeada – Narrativas em Movimento” às 20h, na Casa Jorge de Lima. De 23 a 25, na Uneal Arapiraca terá o XI Seminário Negritude e Resistência; e no dia 29, o Seminário Estadual Consciência Negra e Diversidade no Palácio República dos Palmares.

Todos esses eventos além de representarem a diversidade afrocultural; exaltam a luta por respeito, igualdade e justiça social; e promovem a reflexão sobre o pertencimento étnico. Axé!


Fonte: Coluna Axé – 417ª edição – Jornal Tribuna Independente (15 a 21/11/16) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

sábado, 12 de novembro de 2016

Trilha sonora - fim de semana (12 e 13.11.16)

E quando chega o fim do dia, eu só penso em descansar. E voltar pra casa, pros teus braços...


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Intolerância diária

Nesse domingo(06.11), o grande assunto nas redes sociais e que ficou ecoando nas mentes dos/das estudantes, foi o tema da redação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2016): “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”.

O Brasil é um país laico, ou seja, o poder do Estado deve ser oficialmente imparcial em relação às questões religiosas, não apoia nem se opõe a nenhuma religião. E de acordo com a Constituição Federal de 1988 está prevista a liberdade de cultos, no Art. 5º “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”, onde destacamos o inciso VI  “inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.

A população brasileira é majoritariamente cristã (87%), sendo sua maior parte católico-romana. Dentre as religiões praticadas em todo território nacional, estão: protestantismo (adventismo, batistas, evangelicalismo, luteranos, metodismo e presbiterianismo); espíritas (ou kardecistas); o animismo (dividindo-se em candomblé, umbanda, esoterismo, santo daime e tradições indígenas); muçulmanos, budistas, judeus e neopagãos; além das pessoas que se declaram sem religião (agnósticos, ateus ou deístas).

No dia 21 de janeiro, é a data utilizada como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa para a realização de ações que promovam a conscientização e denúncias. Porém, infelizmente, os casos de intolerância religiosa acontecem diariamente e tem ganhado proporções assustadoras.

No Brasil, os adeptos das religiões de matrizes africanas são associadas como “feiticeiros” e “demônios”; além de serem as principais vítimas dos insultos contra suas vestimentas, guias e turbantes; são hostilizados nas mídias e em programas de humor; casas de axé são invadidas e objetos destruídos, ou recebem pichações e sujeiras; dentre outros. Também há registros de ameaças à integridade física e até mortes. Em junho de 2015, a população brasileira ficou estarrecida com a notícia que uma menina de 11 anos, praticante do Candomblé no Rio de Janeiro, foi apedrejada na cabeça e insultada por dois homens que portavam uma Bíblia.

A intolerância religiosa e o racismo são as chagas do século XXI, violam os direitos humanos e têm contribuído para a propagação de conflitos armados em todo o mundo, a exemplo, do que ocorre no Oriente Médio e Índia. Religião deveria ser amor, companheirismo e caridade. A verdadeira paz só será possível quando o “Axé!”, a “Aleluia”, o “Namastê” ou qualquer outro tipo de saudação seja livremente pronunciada/escrita, e principalmente, respeitada em todos os ambientes. Assim seja!


Fonte: Coluna Axé – 416ª edição – Jornal Tribuna Independente (08 a 14/11/16) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

domingo, 6 de novembro de 2016

Trilha sonora - Fim de semana (05 e 06.11.16)

Posso, tudo posso naquele que me fortalece. Nada e ninguém no mundo vai me fazer desistir...

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Grota Capoeira

O Grupo Muzenza de Capoeira foi fundado em 5 de maio de 1972, na cidade do Rio de Janeiro, tendo como seu fundador, Paulo Sérgio da Silva (Mestre Paulão), oriundo do grupo Capoarte de Obaluaê, do Mestre Mintirinha (Luís Américo da Silva).

Possui mais de 15.000 alunos espalhados nos 26 estados brasileiros e em 35 países. Tem como objetivo: “difundir a capoeira como filosofia principal de seu trabalho, seja buscando o desenvolvimento do nível técnico, teórico e didático-pedagógico da capoeira como arte, luta, cultura, profissão e filosofia de vida; procurando resgatar a valorização dos verdadeiros Mestres velhos, como representantes autênticos da manifestação cultural genuinamente brasileira”.

Em Alagoas, o grupo é famoso por organizar as rodas nas ruas do centro comercial e orla da capital para celebrar o Dia Municipal da Capoeira e do Capoeirista (03 de agosto); colaborações em sessões públicas; encontros de formação; o MUZENZUMBI na Serra da Barriga que promove o intercâmbio dos integrantes oriundas de vários estados; o MUZENZAYA - Encontro de Capoeira que possui todas as atividades ministradas por mulheres; além de várias atividades durante o mês da consciência negra (novembro).

De 08 e 13 de novembro, o grupo realizará a 4º Grota Capoeira em Maceió, que conta com a coordenação/direção do Contra Mestre Carlinhos e a supervisão do Mestre Girafa. Terá Roda de Diálogos nos dias 08 e 09, das 19h às 21h, no prédio da Faculdade Ecoar (FAECO), localizado na Avenida Pratagy no Benedito Bentes 1 em Maceió. O tema “Ensino da História e Cultura Afro Brasileira Lei 10.639/03” coordenada por José Carlos Pereira (Carlos Liberdade), Professor de História e Contra Mestre do Grupo Liberdade; e Denivan Costa (Denis Angola), Professor e formado em Licenciatura em Dança.

A programação também será composta por: Oficina de Técnica Vocal com a Cantora Hillane Vasconcelos no dia 10 às 19hs no Centro de Treinamento de Artes Marciais Roberto Omena no Benedito Bentes 1; Parada Cultural no dia 11 às 19hs na Quadra de Esporte da Rua São Paulo Grota da Alegria com Maracatod@s, Banda Afro Dendê, Dragões do Fogo e Roda de Capoeira do Grupo Muzenza; Papoeira sobre Competições de Capoeira (Copa, Torneio, Campeonatos) às 9h30 na Escola Estadual Marcos Antonio no Benedito Bentes 1; O Som do Meu Berimbau no dia 12 às 14h – Caminhada na Rua São Paulo Grota da Alegria; Aulão, Batizado e Troca de Corda no dia 12 a partir das 16h na Quadra de Esporte da Rua São Paulo na Grota da Alegria; e a confraternização de encerramento. Mais informações: (82) 98734-0218. Visite também o site oficial: http://muzenza.com.br.

O evento contribui para valorização da capoeira (patrimônio cultural brasileiro) e ainda promove a inclusão social de crianças e jovens moradores das periferias. Desejamos sucesso e mais etapas em outros municípios. Axé!


Coluna Axé – 415ª edição – Jornal Tribuna Independente (01 a 07/11/16) / COJIRA-AL / Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com